[[legacy_image_259141]] É óbvio e até incontestável que o problema maior do Santos é a falta de qualidade técnica do elenco, ainda que alguns possam ser considerados exceções, como João Paulo, Marcos Leonardo e Ângelo, pelo potencial. Sem um nível pelo menos um pouco acima do razoável, fica difícil montar uma equipe e obter resultados convincentes. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! É lícito, porém, mesmo num elenco de porte inferior, esperar pelo menos um mínimo de padrão. Não fosse isso possível, não teríamos equipes como um São Bernardo no último Campeonato Paulista, um Volta Redonda no torneio estadual do Rio de Janeiro e até um Água Santa, finalista hoje contra a Sociedade Esportiva Palmeiras. Essas três equipes consideradas “pequenas” são uma prova cabal de que é possível um mínimo de padrão de jogo, compensando eventual falta de qualidade técnica. A partir de uma base tática, de um estilo e de filosofia definidos, o time em campo tem chance de efetivamente competir, superando até adversários superiores tecnicamente. Não fosse isso mais uma verdade do futebol, esses times que viraram surpresas em São Paulo e no Rio de Janeiro não teriam eliminados “grandes” como Corinthians, São Paulo e o próprio Santos, goleado e humilhado pelo Ituano na última rodada da fase de classificação. Há mais cases em outros estados: Rio Grande do Sul, com Caxias na final contra o Grêmio, eliminando o temível Internacional; e, em Minas, com o América a ameaçar o Atlético. A semana do Santos, em tese, termina bem, após a vitória na terça-feira sobre o Blooming, da Bolívia, por 1 a 0, com um gol de Bauermann aos 53 minutos do segundo tempo. Como resultado puro e simples, “nota 10”, contudo, não cabe apenas uma análise simplista, se atendo apenas aos números. Impõe-se uma avaliação mais ampla, envolvendo principalmente a qualidade do adversário e a performance em campo. Sem nenhum exagero, o Blooming é fraco, talvez no Brasil não se sustentasse nem na Série B nacional. A questão, então, se remete à apresentação do Santos nos dois tempos. A crítica esportiva, em sua maioria, considerou um desempenho bem fraco em termos coletivos. Surpreendentemente, na tradicional coletiva pós-jogo, o técnico Odair Hellmann disse que o Santos fez uma grande partida. Talvez o técnico, levando também em consideração a fase do time, tenha optado pela estratégia de estimular o grupo e evitar qualquer crítica pública, que fatalmente prejudicaria o ambiente. Se o objetivo foi preservar o grupo, é até aceitável, mas há que haver sinceridade na análise de desempenho, sob pena de comprometer a própria credibilidade e capacidade. Sem nenhum exagero, mais uma vez o Santos não mostrou nenhum padrão de jogo. A impressão é de um time sem conexão entre os três setores, sem um plano tático a executar, que pode ou não dar certo, mas que tem que existir. Está mais do que comprovado que a troca de treinadores não é a melhor solução. Nos últimos dois anos foram pelo menos seis técnicos diferentes e a equipe não evoluiu. Vale lembrar que esse “bolo” de treinadores incluiu os mais variados tipos, estilos e até nacionalidades. Além de brasileiros, entre eles um conhecido como Lisca, (chamado também pejorativamente de Doido) comandaram o Santos portugueses e argentinos. A rigor, o último que conseguiu a proeza de dar um mínimo de padrão tático ao time foi Fábio Carille, reconhecidamente um treinador que prioriza o sistema defensivo. Salvou o Santos de um rebaixamento e acabou também demitido. Até o Conselho Deliberativo do clube, em reunião realizada essa semana, reclamou do desempenho do técnico Odair Hellmann. Alguns conselheiros, membros do Conselho Fiscal, criticaram diretamente o presidente Andrés Rueda pela sucessiva troca de treinadores e pelas contratações de atletas não qualificados. Críticas pertinentes, impossível negar a realidade. O presidente Andrés Rueda, que participou da reunião de forma virtual, considerou injustas as observações e pediu “paciência”, como se isso não fosse uma característica dos conselheiros e torcedores do clube nos últimos anos. Ainda que existam boas justificativas, como o nível técnico do elenco, a expectativa era que Hellmann e o próprio Paulo Roberto Falcão tirassem o Santos dessa triste roda viva. Não se sabe, infelizmente, o que a diretoria prometeu aos dois no momento da contratação. Essa semana, por exemplo, após uma derrota do Atlético-MG na estreia na Libertadores, o técnico Eduardo Coudet criticou a diretoria pela falta de investimentos. E na saída do campo, para ampliar sua revolta, ainda levou um banho de cerveja, a partir de um copo atirado por um torcedor. Com certeza, Hellmann e Falcão precisam ser cobrados, já tiveram um bom tempo para mostrar resultados. Na próxima semana, conforme o noticiário, chegarão mais dois jogadores, ambos do Água Santa: o lateral Gabriel Inocêncio e o atacante Bruno Mezenga, de 34 anos. Mais duas apostas de resultado imprevisível.