[[legacy_image_357738]] Alguns jogadores, em determinados momentos, parecem que sofrem “perda de consciência”, ou pane mental. Sem a mínima necessidade, se expõem publicamente, criam ou se envolvem em episódios até absurdos, sem nenhum sentido ou lógica. No futebol, certas coisas são inaceitáveis, inadmissíveis. Uma avaliação prévia, com um mínimo de bom senso, com certeza impediria transtornos e consequências mais graves. No ano passado, lesionado e com tratamento prescrito, o atacante Jô foi literalmente flagrado num bar bebendo e, por coincidência, num momento em que seu o time, o Corinthians, estava em campo. O resultado foi óbvio: repercussão nacional negativa, ira dos torcedores e inconformismo dos dirigentes. A sequência foi natural: fim do “amor”, da relação e da condição de ídolo. Recentemente, virou notícia pela prisão por falta de pagamento de pensão alimentícia. Outros já foram, é verdade, porém, Jô caminha para um triste final de carreira dentro e fora do campo. O episódio mais recente foi protagonizado por Gabigol, cuja condição de ídolo flamenguista há muito vem definhando. Sua postura pública, sem dúvida, foi um dos motivos que levaram o técnico Tite, ainda na seleção brasileira, a tirá-lo da Copa do Mundo do Catar. O treinador acabou optando por Pedro, do próprio Flamengo, um artilheiro também, contudo de nível técnico inferior. Gabigol, hoje apenas um reserva do Flamengo, simplesmente foi fotografado vestindo uma camisa do Corinthians em meio a uma churrascada e alguns amigos do próprio clube. Com a tecnologia de hoje, é claro, em pouco tempo a imagem estava nas redes sociais. Não se sabe quem postou (ou vazou), mas amigo não é. Talvez ‘amigo da onça’, lembrando o velho personagem de uma famosa revista brasileira. Se a divulgação foi proposital, o caso é ainda mais grave. Não dá para imaginar que Gabigol não sabia o risco que estava correndo, afinal, vestiu a camisa de um grande rival e a priori não há uma justificativa para tal. Para piorar, nos últimos dias, muito se falou sobre a possibilidade de sua transferência para o Corinthians. As consequências dessa atitude até infantil foram imediatas, em quase todos os setores. Ao chegar no clube, na sexta-feira, foi chamado para uma reunião com o dirigente Marcos Braz e acabou punido exemplarmente. Foi multado em 10% de seu salário, formalmente advertido e o pior: perdeu o direito de utilizar a camisa 10, imortalizada no clube por Zico, o maior craque da história da Gávea. Gabigol também sentiu a repulsa de seus colegas de elenco, ainda que nenhum tenha se manifestado publicamente. O clima no grupo ficou ruim, a ponto de a diretoria ter afastado o jogador do treinamento de sexta-feira. A perda do direito de usar a camisa 10 foi emblemática, a punição teve também o objetivo de deixar claro que o atacante não é digno de representar o grande ídolo do clube. A multa pecuniária é apenas um detalhe, principalmente se foi aplicada sobre o salário, deixando de lado o chamado direito de imagem. Gabigol não é mais nenhuma criança, já tem idade e jornada para ter adquirido maturidade e responsabilidade. De tempos em tempos se envolve em polêmicas rigorosamente desnecessárias, que só prejudicam sua imagem e carreira. Se se trata também de estratégia de marketing, para se manter em evidência, é um erro grave. Nos últimos tempos, tem sofrido sérios prejuízos. Sem nenhuma necessidade, provocou até a torcida do Santos, num jogo em plena Vila Belmiro. De graça, como se diz popularmente, angariou raiva de muitos torcedores que o tinham como ídolo e sonhavam com seu retorno ao clube. Gabigol também está envolvido numa séria suspeita de doping, ao arrumar uma confusão no momento da coleta de urina para exames, num processo legal e obrigatório. Num primeiro momento foi até suspenso liminarmente, por tentativa de fraude em antidoping, ficando proibido de jogar preventivamente por dois anos e até de treinar no clube. Sua defesa, recentemente, conseguiu um efeito suspensivo e o jogador foi liberado para voltar a jogar. O caso, porém, ainda não terminou, o julgamento final ocorrerá em breve. O fato de a medida ter sido concedida por unanimidade é positivo, um sinal de que tem chances de ser absolvido no final. Entretanto, o problema é grave e as autoridades não costumam transigir em relação a casos de doping ou tentativa de fraude. Assim, esperava-se que Gabigol pelo menos se mantivesse longe de polêmicas. Pura ilusão!