(Reprodução / Instagram) Mais uma vez, Vinícius Júnior, craque do Brasil e do Real Madrid, foi vítima de racismo. O problema aconteceu durante o jogo entre seu time e o Benfica, no Estádio da Luz, em Lisboa, pela Champions League. A partida terminou com a vitória do time espanhol, por 1 a 0, gol do atacante brasileiro. O estopim da questão foi a “dancinha” protagonizada por Vini Júnior ao comemorar mais um golaço em sua carreira, bem próximo ao poste de escanteio, que tinha também uma pequena bandeira do clube português. Em nenhum momento, é importante destacar, o brasileiro tocou ou desrespeitou o Benfica e seu símbolo. Logo após, começou a confusão, com Vinícius Júnior correndo em direção ao árbitro para denunciar que tinha sido vítima de ofensa racista, por parte do jogador argentino Prestianni. De imediato, o juiz cruzou os braços na altura da cabeça, acionando o protocolo de discriminação racial. A reação indignada do brasileiro foi um sinal claro de que não se tratava de encenação. Outro ponto que praticamente confirma a ofensa absurda foi a postura do atleta argentino, cobrindo a boca com a camisa para evitar leitura labial. E mais: a manifestação chamando Vini de “macaco” foi ouvida pelo colega Mbappé e outros atletas do Real Madrid, causando grande revolta. Mais tarde, emissoras de televisão divulgaram imagens de pelo menos dois torcedores fazendo movimento típicos de símios, de primatas. Em poucas horas, o caso se espalhou pelo mundo, com grande repercussão em todos os grandes centros da Europa. A Fifa abriu processo para apurar e garantiu que atuará com rigor. Mbappé pediu a exclusão de Prestianni da competição e a CBF emitiu nota se solidarizando com o jogador e exigindo enérgicas providências. Algumas reações chamaram a atenção do mundo do futebol, duas delas de treinadores conceituados em termos profissionais. O técnico do Benfica, José Mourinho, disse que Vini Júnior “acabou com o jogo”, minimizando claramente o triste episódio. Na entrevista, o treinador português tentou estabelecer um paralelo entre as comemorações do atacante do Real e gênios como Pelé, Eusébio e Messi. Perdeu, sem dúvida, uma grande oportunidade de ficar calado, condenando diretamente a postura do jogador logo após o gol. O brasileiro Filipe Luís, técnico do Flamengo, também foi muito infeliz, durante entrevista que concedeu após a derrota para o Lanús, em Buenos Aires, no jogo de ida da Recopa Sul-Americana. De forma absurda, considerou a manifestação como um “caso isolado” e, na sequência, literalmente se “derreteu”’ em elogios à Argentina e seu povo. No dia seguinte, diante da repercussão extremamente negativa, divulgou uma nota oficial destacando, inicialmente, que em momento algum teve a intenção de relativizar ou minimizar qualquer atitude racista. E, felizmente, reconheceu que sua fala, diante da sensibilidade do tema, deu margem a interpretações distintas. Por fim, apontou que o futebol, como espaço de diversidade e integração, não pode tolerar qualquer tipo de discriminação. Sua nota foi importante, mas não apaga a manifestação inicia. Prejudicou sua imagem e reputação, indicando que, apesar de anos na Europa, ainda precisa crescer como cidadão. As reações contra Mourinho também foram fortes, a começar pelo treinador do Bayern de Munique, Vincent Kompany, um dos poucos negros a comandar um grande clube europeu. Segundo levantamento do ge.globo em novembro de 2025, somente quatro dos 96 times das principais ligas europeias eram comandados à beira do gramado por um treinador negro. Depois de sair em defesa de Vinícius Júnior, Kompany disse que o pior aconteceu depois, ressaltando que o técnico português questionou o caráter do jogador brasileiro e na sequência garantiu que o Benfica não pode ser racista, na medida em que seu maior jogador foi Eusébio. “Ele sabe o que os jogadores negros tiveram que passar na década de 1960? Ele estava lá viajando com Eusébio?”. Muitos outros se solidarizaram com Vini Júnior e condenaram a manifestação, negada pelo jogador argentino, que teve apoio do Benfica. De todos, o mais feliz inegavelmente foi Pep Guardiola, técnico do Manchester City, da Inglaterra. Segundo ele, o racismo não é uma questão de pele, é de comportamentos. “As escolas são os lugares ideais para mudar comportamentos. Paguem mais aos professores e médicos, é aí que vamos resolver problemas”. Por fim, foi cirúrgico ao se referir ao racismo: “É um problema da sociedade, não do futebol”.