(Marcos Ribolli/ GE) Nos três jogos de ontem do Campeonato Brasileiro, entrou na prática a tecnologia do VAR para impedimento semiautomático. É, sem dúvida, mais uma grande evolução do futebol, que colaborará muito para garantir maior credibilidade a esse esporte que continua sendo o mais emocionante do mundo. O impedimento sempre foi historicamente uma das questões mais polêmicas do futebol, provocando toda sorte de reações e muitas vezes injustiças. O grande vilão sempre foi o chamado bandeirinha, ou auxiliar de arbitragem, que corre pela linha lateral e é obrigado, numa fração de segundo, a decidir se a jogada é ou não legal. Além de enfrentar a fúria dos jogadores, sofre a pressão dos torcedores na maioria dos estádios, pela proximidade entre a sua área de atuação e as arquibancadas. Seu trabalho, agora, fica bem mais fácil. Se eventualmente errar, a tecnologia indicará rapidamente a necessidade de correção. E mais: não comprometerá o trabalho do árbitro central, a quem sempre cabe a decisão final. Durante muitos anos, a Fifa hesitou em modernizar as regras do futebol, na contramão de vários esportes, como tênis, vôlei e basquete, dentre outros. Sem contar a Fórmula 1, onde a tecnologia é a base de tudo. No tênis, na maioria dos torneios, acabaram até com os chamados juízes de linhas, que a olho nu tinham que aos gritos validar ou não determinados lances. Importante: a tecnologia do impedimento semiautomático é irreversível, o clube cujo estádio não for homologado pela CBF não poderá realizar os jogos em casa. Independentemente de erros e acertos e até mesmo do grande fracasso do Brasil na última Copa do Mundo, a CBF com frequência emite sinais de que não abre mão da modernização do futebol, com foco maior na dinâmica de jogo e na arbitragem. Uma comissão da entidade avalia agora um orçamento para utilização da ‘refcam’, câmera que acompanha o árbitro em campo, e tecnologia de linha de gol, num investimento da ordem de R\$ 195 milhões. A ‘refcam’ é aquela câmera que acompanha o árbitro durante toda a partida e que foi muito usada nas transmissões da Copa do Mundo. É, inegavelmente, mais um avanço, proporcionando ao torcedor a visão do árbitro e uma imagem diferente nos lances agudos. A segunda em estudos é a tecnologia da linha do gol, conhecida como GLT (Goal Line Technology). O sistema da Fifa, usado na Copa, tem auxílio de chip na bola, mas a ferramenta em estudos na CBF é diferente. Ela realiza o monitoramento fracionado em linhas de gol com câmeras específicas para a comunicação direta para o árbitro, apontando se a bola ultrapassou ou não a linha de gol. Vale lembrar que, no começo deste ano, a CBF iniciou um programa com 72 árbitros, com contrato de trabalho, e fez uma previsão de aproximadamente R\$ 200 milhões de investimento ao longo desta temporada, e em 2027, R\$ 50 milhões a mais em comparação ao biênio 2024/2025. Por tudo isso, e principalmente pelas mudanças implementadas na Copa do Mundo, a tendência é que as partidas sejam mais dinâmicas, sem ações deliberadas para retardar o andamento. O jogador, por exemplo, terá sempre cinco segundos para a cobrança de lateral, sob pena de reversão. Os goleiros, agora, terão cinco segundos para efetuar a cobrança de tiro de meta, sob pena de o lance ser convertido em escanteio para o adversário. O alerta de tempo será sempre feito pelo árbitro central, indicando a contagem de tempo com a mão erguida. É o fim da chamada ‘cera’, ação deliberada para retardar o reinício de jogo, que sempre irritou os torcedores. Por fim, também muito importante, uma nova regra prevê que o jogador terá dez segundos para deixar o gramado quando for indicada sua substituição. Em caso de atraso, o substituto terá que esperar um minuto para entrar em campo. Esse comportamento é muito característico no futebol brasileiro e sul-americano. Os ‘mestres’ maiores são os argentinos, porém, os brasileiros também sempre fizeram escola. E está em vigor a regra de que o jogador que receber atendimento médico terá que obrigatoriamente ficar fora de jogo por um minuto, evitando simulações cujo objetivo maior é tumultuar e retardar o andamento da partida. Enfim, novos tempos! Muito positivo