( Reprodução/ Twitter ) Depois de derrotas, principalmente em uma Copa do Mundo histórica, com 48 seleções, não faltam culpados, notadamente logo após uma eliminação contra a Noruega, sem nenhuma tradição no futebol. O sentimento, sem dúvida, é de decepção, afinal muitos ainda acham que somos os melhores do planeta. Infelizmente, não somos os maiores há muito tempo, por vários motivos. O primeiro deles é que não temos mais jogadores que fazem a diferença, como Pelé, Romário, Garrincha, Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaúcho. Com boa vontade, nosso craque hoje é Vinícius Júnior, do Real Madrid, com sua velocidade e habilidade. No mais, com isenção, temos apenas bons jogadores, nenhum, porém, com nível dos nossos grandes ídolos. Raphinha, Lucas Paquetá, Matheus Cunha, Martinelli e Bruno Guimarães são apenas bons coadjuvantes, nada além. As esperanças como Estevão e Rodrygo ficaram pelo caminho das contusões. Na busca de explicações para a derrota para o cometa Haaland e seus remadores, podemos também destacar a improvisação de Danilo na lateral e a lentidão de Marquinhos e Gabriel Magalhães na defesa. Os números do jogo merecem uma análise profunda. O Brasil foi tímido e reativo, a ponto de ter apenas cerca de 32% de posse de bola. Danilo falhou contra o Japão e depois contra a Noruega, ao lado de Gabriel Magalhães. Um atacante como Haaland não pode ter espaço. Deram duas vezes e ele fez dois gols, decidindo a partida. Nem no Flamengo Danilo é titular atualmente, assim mesmo foi o primeiro a ser convocado, numa indicação de que era um dos homens de confiança de Carlo Ancelotti. Wesley, com sua juventude e velocidade, fez falta, acabou cortado por contusão. Ao invés de chamar um lateral, o treinador anunciou um meio-campista, Ederson, atualmente na Atalanta. Não dá para admitir que em todo o Brasil não houvesse um jogador especialista da posição, por inferior que fosse ao então titular. Outro ponto importante para reflexão e busca de uma explicação para a eliminação está no trabalho realizado até a Copa do Mundo. O Brasil teve pelo menos três treinadores até a chegada de Ancelotti, que na prática completou apenas pouco mais de um ano. Didier Deschamps comanda a França há exatos 14 anos, com um currículo que inclui o título mundial em 2018 e o vice em 2022, além de finalista na Eurocopa 2016. É o terceiro profissional da história a vencer um campeonato mundial como jogador e como treinador. Outro bom exemplo de que preparar uma seleção para uma Copa do Mundo exige tempo: Lionel Scaloni dirige a argentina há oito anos e conquistou a Copa América de 2021 e 2024 e a Copa do Mundo de 2022. Por fim, vale citar a Espanha, de Luís de la Fuente, há mais de três anos no cargo. Já ganhou a Uefa Nations League e a Eurocopa, e está nas semifinais desta Copa do Mundo. Coincidência ou não, Espanha, França e Argentina são os destaques da Copa do Mundo. Enquanto isso, além de grandes turbulências administrativas, o Brasil viveu de apostas em Dorival Júnior, Fernando Diniz e até um interino, Ramon Menezes. E mais: passou pelo menos um ano sonhando com Carlo Ancelotti, que acabou contratado por um presidente, Ednaldo Rodrigues, que foi destituído e engolido pelo atual, Samir Xaud, um desconhecido cuja experiência se resumia à Federação Roraimense de Futebol. Num passado maior estão Ricardo Teixeira, que renunciou por corrupção e foi banido pela Fifa; José Maria Marin, que foi preso na Suíça e cumpriu pena nos Estados Unidos; e Marco Polo Del Nero, que também foi eliminado do futebol por esquemas de corrupção e propinas. Se tudo isso não fosse suficiente para explicar a eliminação do Brasil, é importante ressaltar uma célebre frase do ex-treinador Muricy Ramalho: “A bola pune”. Grande verdade, que de tempos em tempos se confirma no campo. Não cabe, em uma Copa do Mundo, perder um pênalti e grandes oportunidades de gol, como desperdiçaram Endrick, Casemiro e o próprio Vinícius Júnior. Lionel Messi perdeu um pênalti, Mpabbé também; ambos, contudo, pelo status de craques absolutos, depois levaram seus times a vitórias. Até Pelé e Maradona erraram penalidades, mas tinham nível e direito para isso. Ancelotti errou ao definir Bruno Guimarães como cobrador oficial do time, jogador que não tem histórico e personalidade para suportar uma missão tão importante. Inegavelmente, não pode ser responsabilizado pela derrota e eliminação, a perda de uma Copa do Mundo vai muito além de um lance.