Depois do fracasso na Copa do Mundo de 2026, a seleção brasileira voltou a campo, em mais uma Data Fifa, período oficial para realização de amistosos e até jogos oficiais de competições internacionais. Foram três partidas, duas vezes contra a Austrália e uma contra a Índia, em Calcutá. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O ideal, sem dúvida, seria jogar contra grandes seleções, ainda que esta fase seja o início de um trabalho de renovação. Dos dois adversários, apenas a Austrália pode ser considerada um teste razoável, afinal participou da última copa e evoluiu em termos técnicos. Nada, porém, que assegure integrar a chamada primeira prateleira do futebol mundial, talvez nem a segunda. Por esse quadro, esperava-se que o Brasil ganhasse até com facilidade, quem sabe com uma boa goleada. A realidade foi outra. No primeiro confronto quase perdeu e no segundo venceu por 4 a 2, ainda que sem empolgar. As fracas performances foram suficientes para que Carlo Ancelotti voltasse a ser criticado e até contestado, com alguns defendendo sua demissão. Esse imediatismo é próprio do torcedor brasileiro, cuja maioria ainda acha que somos os melhores do mundo e que nossos jogadores são craques absolutos. O Brasil tem, sim, alguns jogadores de bom nível técnico, porém não com a supremacia de outros tempos. Sem falar no aspecto tático, cujo quadro é ainda mais triste. O melhor exemplo hoje é a Espanha, campeã mundial, cujo poder está baseado principalmente no sentido coletivo. A final da Copa do Mundo comprovou a importância do futebol moderno e coletivo. Mesmo com Messi e outros a Argentina foi facilmente superada. A França, com craques como Mbappé e Dembélé, também não foi páreo para os espanhóis, perdendo por 2 a 0. O Brasil, por sua vez, não venceu sequer a Noruega e seus vikings. A única solução para o Brasil é realizar um trabalho de longo prazo e manter contato próximo com as principais seleções do mundo, para testar novos jogadores e atualizada com as novidades do futebol. Ontem, o amistoso foi contra a Índia, de baixíssimo nível técnico e sem nenhuma tradição no esporte. A seleção venceu por 4 a 0, mas enfrentou dificuldades até o primeiro gol. O destaque foi Samuel Lino, do Flamengo, além de Estevão, no Chelsea, da Inglaterra. Este, sem dúvida, fez falta na Copa: é um atacante diferenciado, de grande nível técnico. Não é hora de se pensar em trocar de treinador, o momento exige paciência e apoio para que Ancelotti consiga renovar o Brasil. Nesta Data Fifa, nove dos convocados nunca tinham sido chamados para a seleção. Nesse aspecto, o treinador acertou: é preciso observar para construir uma nova geração. Em entrevista após a partida contra a Índia, o treinador se mostrou otimista, destacando jogadores como Bontempo e Jair, ex-Santos, Breno Bidon, do Corinthians, e Artur Dias. E confirmou o potencial de Samuel Lino, cuja habilidade. Ancelotti considerou o período “bastante interessante” e que os amistosos deram uma boa idéia em relação à próxima convocação, que será em novembro, em mais uma Data Fifa. E mais: ressaltou que vai dar sequência ao trabalho de observação de outros jovens destaques no Brasil. Alguns, com certeza, não serão chamados novamente, por não terem correspondido às expectativas. O gol é um setor que deve ter mudanças, já que Hugo Souza, do Corinthians, e Otávio, do Cruzeiro, não convenceram. Morisco, do Coritiba, apesar da fragilidade do adversário, demonstrou segurança na partida de ontem e deve ter uma outra oportunidade. Entre os veteranos, Vini Jr., mais uma vez, não confirmou seu status de estrela mundial, assim como Raphinha, que acabou cortado por contusão. Pedro mostrou que é artilheiro e que pode ser sempre uma opção para o ataque. No geral, mesmo contra Índia e Austrália, o resultado foi positivo para observações. Salvo turbulências próprias do futebol brasileiro, Ancelotti terá quatro anos para montar uma nova seleção e comprovar que ainda é um dos melhores técnicos do mundo. Será o maior desafio de sua carreira.