(Reprodução / Redes sociais) Independentemente do resultado de hoje contra o norueguês Casper Ruud, que já foi número 2 do mundo e atualmente é o 16 do ranking mundial, João Fonseca já fez história no tênis e na sua curta carreira como profissional. O brasileiro literalmente venceu um ‘monstro’ do tênis mundial, que continua jogando em altíssimo nível aos 39 anos de idade, mais do que o dobro do que o novo fenômeno do tênis do Brasil. É óbvio que a distância entre as idades de Fonseca e Djokovic é um fator importante, o físico e a velocidade fazem diferença num confronto individual, porém, não foi isso que determinou a vitória do brasileiro. Foram 4h53 de jogo, com 7/5 no quinto set, sem dúvida ambos estavam exaustos, isso era visível na fisionomia dos dois jogadores. A técnica e a habilidade prevaleceram, felizmente pendendo para o brasileiro de apenas 19 anos. Se será ou não número 1 do mundo, só o tempo dirá, chegar ao topo depende de vários fatores, entre eles o físico e o mental. Ao vencer o croata por 3 a 2, de virada, depois de estar perdendo por 2 a 0, Fonseca deu sinais de que é muito forte mentalmente e que tem espírito de um grande guerreiro, do tipo que enfrenta e vence grandes batalhas. O mais importante é que, aliado a tais aspectos, tem uma técnica rara. Como se diz normalmente no tênis, é um jogador que tem todos os golpes, alguns raros no esporte. Um bom exemplo: o brasileiro sacou a 220 km/h, contra ‘apenas’ 205 km/h do croata. Foram 11 aces, contra 8 do número 4o do mundo. O serviço hoje faz uma grande diferença, vide o último game do match, quando Fonseca cravou três, salvando um break point e fechando em 7/5. O equilíbrio até então era claro, principalmente entre os winners (golpes vencedores), com 68 a 70. Fonseca errou mais, foram 47 a 39 não forçados, mas felizmente a maior parte ocorreu nos dois primeiros sets. Há uma máxima de que normalmente a história se repete, conforme o filósofo e revolucionário alemão Friedrich Engels, ao fazer o prefácio da segunda edição de O 18 Brumário, de Louis Bonaparte, escrito por Karl Marx em 1852. Sua frase foi grafada em outro contexto, com resultados diferentes, contudo é um indicativo de que a repetição é possível. Há muita semelhança entre João Fonseca e Gustavo Kuerten, que por três vezes conquistou Roland Garros, encantou o mundo com sua simpatia e humildade e foi número 1 do mundo por um bom período. Em 2004, na terceira rodada e por uma coincidência incrível, no dia 29 de maio, Guga venceu Roger Federer, outro ‘monstro sagrado’ da história do tênis mundial, justamente no Aberto da França. Kuerten já era tricampeão do torneio francês. Difícil prever agora se João Fonseca ganhará o torneio francês este ano e até mesmo se chegará ao top 10 ou a número 1 do mundo. Porém, pelo que fez em apenas dois anos de sua carreira profissional, as chances são muitas. Mesmo em derrotas recentes, tem demonstrado evolução e maturidade. A edição atual de Roland Garros está rigorosamente aberta em termos de título. É certo até que terá um campeão inédito. Jannik Sinner, atual número 1 do mundo, caiu na terceira rodada, sucumbindo a um grande desgaste físico de uma temporada intensa de vitórias. O segundo do ranking, o espanhol Carlos Alcaraz, desistiu do torneio por uma contusão no dedo que reflete no punho. A repercussão da façanha de João Fonseca literalmente atravessou o mundo, com a utilização dos mais variados adjetivos para qualificar a vitória. O jornal espanhol Marca escreveu: “Um campeão nasce, não se faz... Djokovic se ajoelhou contra Fonseca, 19 anos mais novo do que ele”. O grande periódico francês L’Équipe abriu com: “Que partida”. E depois acrescentou que foram quase cinco horas de jogo de uma “dramaturgia absolutamente insana”. O Sport, da Espanha, destacou “Fonsecazo”, com complemento: “Ele consegue! Barbaridade. Do break point a três aces para fechar e se recuperar em uma partida histórica”. Com certeza, um novo ídolo nacional e provavelmente mundial. Desde o ano passado exerce um grande fascínio por onde joga, fruto também de sua grande humildade. A conexão com a torcida é incrível, tanto nacional como internacional. O mundo já conhece o grito de guerra “Joao Fonsecaaaa...” Há muito seus jogos saíram das quadras secundárias para as principais, como a de sexta-feira, a famosa Philippe Chatrier, a central do complexo de Roland Garros, onde só jogam os deuses do tênis. Os adversários quase sempre são coadjuvantes. João já é ator principal.