( Laurence Griffiths/AP ) Ao longo dos próximos dias teremos uma prévia da força e das perspectivas das grandes seleções do futebol mundial. A Eurocopa, que reúne as principais seleções da Europa, começou na sexta-feira, e a Copa América se iniciará no próximo dia 24, reunindo as equipes do nosso continente, entre elas, obviamente, a do Brasil. Os dois títulos são de grande importância para o currículo e para a história de cada país, porém, o foco maior é a Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, México e Canadá. A partir dos resultados e performances, será possível definir planejamentos e principalmente eventuais correções de rotas, com manutenção ou reformulações. Os favoritos são os de sempre, tanto na Euro como na Copa América. Em ambas as competições, é impossível descartar os tradicionais, como França, Inglaterra, Itália e Alemanhã por lá e Argentina, Brasil, Uruguai e até a Colômbia do lado de cá. Há muito, contudo, o quadro caminha para um maior nivelamento técnico, validando o ditado popular de que “não há mais bobo no futebol mundial”. Trata-se de uma realidade clara, pelo constante intercâmbio de atletas, envolvendo até mesmo países da África e Ásia, tecnologia e métodos de treinamentos. A seleção brasileira vive uma fase de transição, tentando se libertar do grupo que, sob o comando do técnico Tite, fracassou nas últimas duas Copas. Há uma clara renovação entre os convocados, a prova maior é o jovem Endrick, de 17 anos, a poucos dias se de transferir oficialmente para o grande Real Madrid, um dos melhores times do mundo. A renovação passa também por jogadores como Vinícius Júnior, Rodrygo, Beraldo, Savinho, Gabriel Martinelli e outros que fazem sucesso em seus respectivos clubes na Europa. Essa transição também envolveu a comissão técnica com a saída abrupta de Fernando Diniz e a chegada de Dorival Júnior. Nos clubes em que trabalhou recentemente, como Flamengo e São Paulo, o treinador teve sucesso, mas o comando da seleção é completamente diferente. Sob sua direção o Brasil ainda não perdeu – foram quatro amistosos –, mas partidas oficiais são completamente diferentes. Ao contrário de muitos técnicos que passaram pela equipe nacional, Dorival aproveitou tais partidas para observar várias de suas novas convocações, o que é extremamente positivo. A maioria dos chamados novatos, como Savinho, por exemplo, mostrou qualidade. Outra boa surpresa foi Andreas Pereira, jogador belga-brasileiro que atua no Fulham, da Inglaterra. Nas partidas em que atuou, mostrou grande qualidade técnica e tem tudo para se consolidar na seleção brasileira. Durante um bom período atuou pelo Flamengo, na condição de jogador emprestado. Sempre foi muito bem, mas não foi contratado em definitivo por uma falha na final da Libertadores, numa partida contra o Palmeiras. Por pressão dos torcedores fanáticos e desequilibrados, que fazem qualquer tipo de ameaça, o clube carioca não teve coragem de contratá-lo em definitivo. Uma grande perda, está claro que se trata de um jogador diferenciado, muito acima da grande média. Por sua história e tradição, o Brasil entra como um dos grandes favoritos para conquistar a Copa América, ao lado da Argentina, atual campeã mundial, que ainda conta com o genial Lionel Messi. Será, inegavelmente, um grande teste para a seleção Brasileira e para a consolidação definitiva de Vinícius Júnior, que até agora não repetiu o grande momento que vive no Real Madrid, cotado inclusive para ser o próximo Bola de Ouro do futebol mundial. Ao contrário da Copa América, a Eurocopa apresentará uma grande novidade. A comissão de arbitragem da competição inseriu uma nova norma para a relação entre jogadores e juízes. Durante as partidas, somente o capitão da equipe poderá se dirigir aos árbitros, sob pena de punição imediata com cartão amarelo ou vermelho. A medida tem por objetivo pôr um fim a reações intempestivas diante de qualquer decisão da arbitragem em campo. Na Europa, tal comportamento é mais comedido, é importante reconhecer, mas em alguns momentos ainda ocorre, na expectativa de alterar uma decisão. Seria muito bom que tal norma também fosse inserida no regulamento da Copa América e particularmente no Brasil. A grande maioria dos nossos atletas e até membros das comissões técnicas infelizmente não têm educação ou boa noção de respeito. Na marcação de um pênalti, apesar da implantação do VAR, que valida ou não a decisão, o jogo se transforma numa batalha verbal, rigorosamente instalando um clima de confusão generalizada. A novidade na Eurocopa pode contribuir muito para mudar o quadro no futebol sul-americano, permitindo que o futebol seja realmente um espetáculo completo.