(Vítor Silva/ BFR) Mas, ao invés de Hulk, prevaleceu Luiz Henrique, com sua técnica e categoria. Esse jogador desprezado pelo Betis, da Espanha, decidiu a partida e comprovou que hoje é a grande diferença do futebol brasileiro. Rigorosamente, teve de tudo, desde a presença em campo do genial tenista Novak Djokovic, carregando a tão cobiçada taça, até a lógica novamente contrariada, de que 11 podem mais do que 10. Com apenas 29 segundos, Gregore foi expulso por uma entrada violenta e o Botafogo ficou com apenas 10 jogadores. Numa final tensa e tão importante, essa desvantagem quase sempre é fatal, mas dessa vez não foi. Estava escrito que não seria, como disse o próprio Gregore após o jogo. Na prática, houve um grande comprometimento coletivo, superando a adversidade inesperada. O Botafogo reagiu com fogo nos olhos, se multiplicando em campo e com uma postura tática absolutamente correta. Em nenhum momento, apesar da superioridade numérica, o Atlético ameaçou seu adversário. Mesmo com 10 jogadores, o Botafogo comprovou que é um grande time e que estava pronto para a conquista do título inédito de campeão da Libertadores da América, entrando para a história ao lado de clubes como Santos, São Paulo, Corinthians, Flamengo, Fluminense, Grêmio e o próprio Atlético, na famosa campanha do “Eu acredito”. Dessa vez, porém, quem acreditou foi o Botafogo, inicialmente com um gol de Luiz Henrique, usando a camisa 7 que já foi de Garrincha e Jairzinho, dentre outros craques que passaram pelo histórico clube. O mesmo jogador também sofreu o pênalti que terminou com 2 a 0 o primeiro tempo. Porém, era preciso mais drama para valorizar ainda mais a conquista: logo no inicio do segundo tempo, de cabeça, Vargas reduziu a diferença para 2 a 1. Era óbvio que a pressão seria insustentável, ou quase, com o Atlético levando o jogo no mínimo para a prorrogação ou quem sabe para a decisão na cobrança de penalidades. O Botafogo, contudo, resistiu até o fim, até com poucas ameaças de gol. Mais uma vez, deu sinais de que o fracasso no Brasileirão de 2023 fortaleceu a personalidade dos jogadores. Como ocorreu na partida decisiva contra o Palmeiras, nessa mesma semana, em pleno Allianz Parque, vencendo por 3 a 1. No final, com Júnior Santos, ainda fez 3 a 1 e garantiu uma vitória épica de um time cuja história é uma das mais lindas do futebol brasileiro. Como clube, deixa ainda um legado que merece reflexão: é também uma SAF com um dono chamado John Textor que, apesar de polêmico, tem que ser respeitado. Ele manteve a base do ano passado, reforçou a equipe, contratou um técnico competente e simplesmente demonstrou que o Botafogo realmente “é fogo”. Ou Fogão, como dizem os torcedores mais fanáticos.