[[legacy_image_264983]] De 12 pontos em quatro jogos, o Santos conquistou apenas 4 nesse início de Campeonato Brasileiro. Exatos 30% de aproveitamento: uma vitória contra o América, no sufoco, na Vila Belmiro, um empate, contra o Atlético-MG, também em casa, e duas derrotas: uma ontem contra o Cruzeiro, em Belo Horizonte, por 2 a 1, e outra na estreia, como se esperava, para o Grêmio, em Porto Alegre, por 1 a 0. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Nesse meio tempo houve ainda a derrota para o Newell’s Old Boys, da Argentina, por 1 a 0, pela Sul-americana. Trocando em miúdos, em cinco partidas, uma vitória, dois empates e duas derrotas. Até agora, pelo menos numericamente, uma campanha fraca e preocupante no Brasileirão. Como consolo há times que até agora não conquistaram um ponto sequer, como o América, e outros com apenas 1, como Cuiabá e Coritiba até o início dessa rodada. O Santos ainda ocupa a 11a posição, com 4 pontos, ao lado de outros quatro, mas deve cair bem na tabela. O adversário de ontem era difícil, até então sexto colocado com 6 pontos, agora foi a 9. Nas primeiras rodadas deu sinal de que é um time equilibrado e homogêneo, preocupado em pelo menos evitar um novo rebaixamento. Não há, sem dúvida, jogo fácil nesse Campeonato Brasileiro, principalmente fora de casa. É incrível como no Brasil o fato de atuar no campo do adversário tem grande influência, raros os clubes que conseguem conquistar vitórias em situação adversa. Sem dúvida, a exceção é o Palmeiras, que parece indiferente a fatores extracampo. Com certeza, vai da qualidade técnica, da confiança à personalidade, além da força mental. O Santos, na estreia, até que teve uma performance boa, encarando o Grêmio com coragem, mas, como sempre, perdeu. Ontem também mostrou um futebol razoável, perdendo principalmente por suas falhas defensivas. No estágio atual, é quase uma rotina, no estádio ou acompanhando pela televisão, o sentimento do torcedor é de que o time sofrerá um gol a qualquer momento e não terá capacidade de reação. É claro que a razão maior é a fragilidade do time, além da falta de confiança. O futebol é sempre surpreendente, porém, é bem mais provável que o Santos, na competição nacional, viva uma verdadeira roda viva, registrando muito mais derrotas do que vitórias ou até mesmo empates. Soteldo, que sempre acrescenta poder técnico ao time, infelizmente entrou numa rotina de contusões, reduzindo ainda mais a possibilidade de vitórias. Nesse contexto, chega a ser surpreendente a passividade da diretoria diante da convocação do atacante Marcos Leonardo para a seleção brasileira sub-20, que disputará o mundial da categoria em breve, na Argentina. Parece claro que o objetivo dos dirigentes é expor o jogador em uma vitrine mundial, visando principalmente uma futura negociação. Com certeza, os grandes clubes do mundo terão observadores, assessores e os tradicionais “olheiros” para constatar a qualidade e o potencial do jogador. Cada vez mais, o objetivo é investir nos jovens atletas, que têm muito mais chances de corresponder e, futuramente, garantir grande retorno financeiro. O objetivo, é claro, não é uma revenda, mas essa hipótese sempre é considerada. Os exemplos estão aí, com Vinicius Júnior, Rodrygo, ex-Santos, e mais recentemente Endrick. Outro que deve seguir esse caminho é Vitor Roque, do Athletico. Pois bem: o Palmeiras, apesar do elenco qualificado, não liberou sua jovem estrela, assim com o clube paranaense em relação ao atacante. Os dois times estão em três disputas simultâneas, como o Santos: Campeonato Brasileiro, Libertadores/Sul-americana e Copa do Brasil. E mais: Luxemburgo assumiu o Corinthians e poucos dias depois literalmente enfrentou a diretoria, exigindo que o clube não liberasse o jovem atacante Pedro para a seleção brasileira. Por tudo isso, a decisão de liberar Marcos Leonardo é perigosa e até incompreensível. Parece claro que o objetivo maior é negociá-lo na próxima janela mundial de transferência, a partir de junho. O próprio presidente Andrés Rueda admitiu que precisará vender um jogador para “equilibrar” as finanças. Marcos Leonardo, ainda que não seja um craque consolidado, é um jogador importante para o Santos, que precisa somar pontos a cada rodada para evitar um futuro complicado, com risco de rebaixamento. Pelo grupo convocado para o mundial, não há sequer a garantia de que o atacante santista será titular. Se o Brasil chegar à final, Marcos Leonardo desfalcará o Santos em 10 jogos nas três competições. Sem dúvida, vai fazer muita falta ao time. Entre outros, Bruno Mezenga, contratado recentemente ao Água Santa, aparece como primeira opção para o lugar de Marcos Leonardo. Ainda é, porém, uma incógnita. Em síntese, mais dois erros da diretoria: a liberação do jogador e a meta de vendê-lo na primeira oportunidade É inegável que o equilíbrio financeiro deve sempre ser considerado, qualquer diretoria séria tem que ter isso em seu radar. Não pode, entretanto, ter apenas isso como meta, a política de revelar e vender não abre nenhuma perspectiva de evolução técnica e retorno ao status de um dos grandes clubes do Brasil. Há muito, infelizmente, o Santos vem perdendo seu status de clube grande.