(Reprodução/ X) Com certeza, é prematuro anunciar que João Fonseca é um novo fenômeno do tênis brasileiro e até mesmo o legítimo sucessor de Gustavo Kuerten, que surpreendeu o mundo e chegou a número 1 do ranking da ATP. Quem acompanha esse esporte, ou até mesmo o pratica de forma amadora, sabe o quão difícil e complexo é jogar e vencer, independentemente do nível de disputa. Muitos têm técnica, físico e assim mesmo, no profissional, não vão longe, por falta de estrutura, de recursos e principalmente por fraca força mental. Nos momentos decisivos, a mente é fundamental, num lance ou em um game se perde um set e até uma partida. Poucos falham e se recuperam no instante seguinte, esses são diferenciados, há vários exemplos na história desse esporte. Não há como negar, porém, um grande otimismo em relação ao futuro do carioca João Fonseca, de apenas 18 anos. De pronto, é nítido que se trata de um jovem determinado, de forte personalidade e com uma maturidade além da idade atual. Quando fez uma grande campanha no Rio Open, chegando às quartas de final, se viu diante de uma decisão de vida e de carreira. Ele tinha duas opções: iniciar efetivamente a carreira profissional ou escolher entre dois convites de universidades americanas para estudar e jogar. Mas em nenhum momento hesitou: optou pelo tênis, esse esporte que um dia foi considerado “uma máquina de fazer loucos”. João Fonseca, na sequência, teve também uma ascensão meteórica no ranking mundial, atualmente é o número 145 do mundo. Sua escalada superou até mesmo a de Gustavo Kuerten em termos de período. De janeiro a dezembro de 2024, subiu 585 posições, comprovando seu grande potencial. Seu primeiro título profissional foi conquistado no Challenger de Lexington, nos Estados Unidos, em agosto. Seu maior feito, porém, ocorreu na semana passada, ao disputar o Next Gen ATP Finals, vencendo na final o americano Learnen Tien, de 19 anos e 112o do mundo por 3 sets a 1, com parciais de 2/4, 4/3, 4/0 e 4/2. Esse torneio tem regras mais flexíveis em relação aos tradicionais, e permite, por exemplo, que os torcedores circulem com mais liberdade durante as partidas. Os jogadores podem até utilizar dispositivos eletrônicos para análise de dados em tempo real, de modo a ter uma visão geral de seu desempenho físico e nível de estresse durante o jogo. E mais: não tem vantagem nos pontos de desempate, quando o game está nos 40 iguais. A idéia é garantir mais dinamismo ao jogo. Uma curiosidade: João Fonseca entrou no torneio como oitavo colocado e terminou campeão. O torneio reúne os oito melhores tenistas até 20 anos e existe desde 2017. O italiano Jannik Sinner, atual número 1 do mundo, e o espanhol Carlos Alcaraz venceram a competição em 2019 e 2021, respectivamente. Não conta pontos, porém, para o ranking da ATP. Em contrapartida, paga bem: Fonseca ganhou R\$ 3,2 milhões pela conquista. Apesar de tudo, o tenista carioca continua demonstrando grande humildade, evitando quaisquer comparações com Sinner, Nadal e Alcaraz. Sua meta agora é conseguir uma vaga na chave principal do Australian Open, o primeiro grande slam do ano. Terá, contudo, que disputar o torneio qualificatório ou quem sabe obter um convite da organização. Em recente entrevista, disse que sonha em ser o número 1 do mundo, mas rejeitou rótulos do tipo “fenômeno”. “Eu quero apenas ser o João”, disse.