(Reprodução) O sentimento dos brasileiros e de muitos torcedores pelo mundo, em especial da Espanha e do Real Madrid, foi rigorosamente de frustração diante de Vinícius Júnior não ter ganhado a Bola de Ouro, que na prática significa o melhor jogador do ano. No caso, tem por base o calendário europeu, temporada 23/24. Inegavelmente, pelo que fez no Campeonato Espanhol, na Supercopa da Espanha e na Champions League, a Bola de Ouro tinha que ser dada ao brasileiro, agora com 24 anos. Rodri, sem dúvida, tem seus méritos e está num dos times mais fortes do mundo, o Manchester City, que por coincidência foi eliminado pelo próprio time espanhol na última competição europeia de clubes. Com certeza, a revista France Football, promotora anual da premiação, sai com sua imagem profundamente arranhada. Mais do que isso: tem sua credibilidade colocada em xeque, e isso é essencial para manter o prestígio e reconhecimento mundial. Para agravar ainda mais a edição da Bola de Ouro de 2024, pelo menos 24 horas antes da cerimônia de entrega do prêmio vazou a informação de que Vinícius Júnior não seria o vencedor, contrariando toda a expectativa do mundo esportivo. A reação do Real Madrid, numa ação direta do presidente Florentino Pérez, foi imediata, cancelando um voo fretado que levaria 50 pessoas do clube até Paris, sede da France Football. E mais: além de descartar a entrega do prêmio a Vinícius Júnior, a informação ‘vazada’ garantia a indicação de Rodri, quebrando todo o sigilo em torno do anúncio oficial. A impressão que se tem é que o vazamento foi premeditado, para evitar um constrangimento ainda maior, com Vinícius Júnior e a comitiva do Real Madrid presentes. Infelizmente, à noite tudo se confirmou, sem quaisquer justificativas oficiais. A escolha da Bola de Ouro é feita por um grupo de jornalistas de todo o mundo, previamente credenciados. Pelo Brasil, um dos que votaram oficialmente foi o narrador Cléber Machado, que trabalhou durante muitos anos na Rede Globo e hoje tem contrato com o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT). A seleção dos finalistas começa com uma lista de 30 nomes, elaborada por jornalistas da própria publicação. Na sequência, a France Football escolhe um jornalista de cada país participante para iniciar o processo final. Esses profissionais são encarregados de votar nos 10 jogadores que consideram merecedores do prêmio. O sistema de pontuação prevê 15 pontos para o primeiro colocado, 12 para o segundo, 10 para o terceiro e assim por diante até um ponto para o décimo colocado. É diferente do critério utilizado pela Fifa para a eleição do The Best. Cléber Machado, pela ordem, votou em Vinícius Júnior, Rodri, Bellingham, Mbappé e Kane. O narrador, sem dúvida, apesar de ser brasileiro, votou na ‘tendência mundial’, levando em consideração o nível do futebol praticado pelo atacante do Real Madrid. A revista France Football também perdeu uma grande oportunidade de sinalizar ao mundo e a Vinícius Júnior seu irrestrito apoio à campanha contra o racismo no futebol. O brasileiro, em várias oportunidades, foi vítima de preconceito e muito hostilizado em campo, até mesmo na Espanha, mais precisamente em Madri, sede do Real Madrid e do grande adversário Atlético de Madrid. As manifestações racistas foram além dos estádios e arquibancadas, houve até mesmo o enforcamento simbólico do brasileiro em um dos viadutos da capital espanhola. A indignação foi grande, a ponto de autoridades e até a Fifa anunciarem medidas severas contra torcedores e clubes. Vinícius Júnior, na prática, tornou-se um símbolo na luta contra o racismo no futebol. Sem excessos, sempre se insurgiu contra os ataques, marcando sua revolta contra gestos, ofensas e outras manifestações de preconceito racial. Alguns interpretam suas comemorações em campo como provocações ou menosprezo. Longe disso, ele apenas extravasa sua alegria e torna o futebol menos previsível e burocrático. O gol é um momento de festa, de alegria e muita descontração. Apesar dos 24 anos, Vinícius Júnior reagiu com equilíbrio ao fato de não ter ganhado a bola de ouro. Numa mensagem em seu perfil na rede X (antigo Twitter), o craque brasileiro escreveu: “Eu farei 10 x se for preciso. Eles não estão preparados”. Paralelamente, recebeu a solidariedade de vários jogadores pelo mundo, numa demonstração de que a grande maioria dos atletas não digeriu a decisão da revista francesa. Na verdade, Vinícius Júnior não perdeu, saiu mais forte desse triste episódio. A grande derrota foi da France Football.