Neymar comemora o primeiro gol após a volta ao Peixe, o de número 139 do craque pelo Alvinegro (Alexsander Ferraz/AT) Na recente visita à Vila Belmiro, obviamente para observar de perto o atacante Neymar, um interlocutor especial questionou o técnico Dorival Júnior sobre a convocação do jogador para mais uma rodada das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026, que será disputada no Canadá, no México e nos Estados Unidos. A resposta foi direta: “Só depende dele”. Posteriormente à partida, contra o Noroeste, o treinador foi até o vestiário e conversou com jogadores, dirigentes, o técnico Pedro Caixinha e, principalmente, Neymar. Dorival Júnior saiu animado e certo que Neymar está pronto para voltar à seleção brasileira. Na última sexta-feira, como manda o protocolo, a CBF divulgou uma pré-lista com 52 nomes para os jogos contra a Colômbia, em Brasília, e Argentina, em Buenos Aires. Na relação, depois de quase dois anos, está o nome de Neymar, repatriado pelo Santos na maior ação do futebol brasileiro nos últimos anos. A decisão de Neymar e seu estafe teve, sem dúvida, dois fundamentos: a razão e a emoção. A primeira levou em conta a perspectiva de recuperar seu futebol, jogar a próxima Copa do Mundo e quem sabe finalmente ser eleito o melhor jogador do mundo. A segunda considerou sua história no clube e a certeza de que no Santos terá apoio incondicional da diretoria e, principalmente, dos torcedores, que a cada jogo demonstram sua incrível paixão pelo jogador. O retorno de Neymar aos gramados foi gradativo e bem planejado, assim como um rigoroso controle da carga de treinamentos. E a resposta foi mais do que convincente: três assistências e dois gols, um deles olímpico, sempre raro no futebol mundial. E mais: motivou o time do Santos, que obteve a classificação para a fase decisiva do Campeonato Paulista com três vitórias consecutivas. Na pré-lista de Dorival Júnior, além de Neymar, há o retorno de Antony, Endrick, Lucas Moura e Oscar, que voltou para o São Paulo depois de mais de 10 anos no futebol chinês. Vale destacar também, comprovando que o treinador está atento ao futebol brasileiro, a inclusão de jogadores como Hugo e Yuri Alberto, do Corinthians, e Wesley, do Flamengo, um lateral que tem tudo para assumir a posição de titular. Aliás, o clube carioca é o que tem o maior número de atletas relacionados: seis. Para os jogos da Data Fifa de março, na próxima semana serão oficialmente convocados apenas 23, menos da metade anunciada na sexta-feira. A expectativa é que Neymar esteja nessa lista final, pelo que já fez em seu retorno e por sua incrível capacidade técnica. O atacante do Santos tem tudo para mudar o quadro atual da seleção brasileira, que ocupa apenas a quinta colocação na tabela de classificação, atrás de Colômbia, Equador, Uruguai e Argentina. Até agora, apesar de contar com jogadores que fazem grande sucesso na Europa, o Brasil ainda não se encontrou e nem empolgou o torcedor. Até certo ponto, uma situação surpreendente, por todo o potencial técnico do grupo. Neymar tem tudo para mudar até mesmo o ambiente da seleção brasileira. Sua simples presença com certeza motivará o grupo, assim como aconteceu no Santos. Nesse curto período de retorno, ele deixou claro que pode fazer a diferença dentro de campo. Sua velocidade de raciocínio e visão de jogo continuam incontestáveis, assim como a habilidade, compensando facilmente uma eventual redução de velocidade e movimentação. Em quaisquer circunstâncias, o atacante do Santos continuará sendo um sério problema para os adversários, que só conseguem neutralizá-lo na base das faltas e até da violência. Nos cinco jogos que fez pelo Santos, diferente de uma intensidade sempre registrada no confronto entre seleções, Neymar foi duramente marcado. Parece totalmente recuperado, resistiu a tudo. O ideal é que atue sempre próximo da área, onde qualquer ação pode resultar em um momento decisivo de bola parada. Enfim, como ele mesmo escreveu: “Eu vou, mas volto”. Ele realmente voltou.