[[legacy_image_242224]] Independentemente do resultado do jogo deste sábado (28) contra a Ferroviária, no Canindé, o futuro do Santos é muito sombrio. São relativamente mínimas as perspectivas de melhora, nada faz crer que haverá uma reversão do quadro atual. Não se trata de pessimismo gratuito, sem base, a situação é extremamente preocupante. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Basta um mínimo de bom senso para perceber que o Santos, mais uma vez, viverá a rotina da incerteza, além da temível ameaça do rebaixamento, tanto no Campeonato Paulista como no torneio nacional. A torcida, por mais que seja passional e até irracional, é sempre um bom termômetro. Seu comportamento e reações não podem ser desprezados, desde que não atuem com selvageria. É a chamada “voz das ruas”, como sempre destacava o ex-deputado Ulisses Guimarães. Ao longo de sua vida política, ele sempre disse que é preciso ouvir e interpretar o som que vem do povo. Ignorar, segundo o parlamentar, é um grande risco. O nível do jogo de quarta-feira contra o Água Santa, na Vila Belmiro, na quarta-feira, até então o pior time da competição, tem que se levado em consideração. Mais grave do que os protestos dos torcedores foi a performance do time. Com certeza, quem conseguiu acompanhar o jogo todo, na expectativa de uma vitória, acabou irritado e até revoltado. Suportar aquele confronto foi um sacrifício. O destaque da partida, mais uma vez, foi o goleiro João Paulo, que fez uma incrível defesa no primeiro tempo. Os que foram ao estádio expressaram esses sentimentos, não poupando sequer o jovem Ângelo, que tem grande potencial. O jogador, ainda imaturo, reagiu com palavrões, observado até mesmo em uma simples leitura labial. É lógico que errou, porém, há que se relevar a juventude, falta de experiência e a própria insatisfação por não ter conseguido contribuir para a obtenção de um resultado positivo. Até ontem, o Santos era o terceiro colocado de seu grupo, com 5 pontos ganhos. Apenas os dois primeiros se classificam para a fase eliminatória. Um grupo de torcedores já foi ao CT exigir mudanças, numa reunião com o alto comando, entre eles o coordenador Paulo Roberto Falcão e o técnico Odair Hellmann, e dois jogadores, um deles o ídolo João Paulo. Novas promessas e pedidos de paciência, na medida também que se trata de um time em formação. Com a vinda de Falcão, que inegavelmente entende de futebol, esperava-se uma mudança profunda na filosofia de trabalho e, principalmente, nas contratações. Dentre outros, chegaram, Messias, Dodi e “Speed” Mendoza, colombiano que já passou por alguns clubes brasileiros e sempre se mostrou inconstante. Jogou até no Chennaiyin Football Club, na Índia, onde o futebol é quase amador. É correto acreditar que tais contratações passaram pela homologação de Falcão e Hellmann e seguiram a capacidade de investimento. Consta que Messias e Mendoza assinaram contrato por três anos e com salários acima dos seus respectivos status, ao invés de compromissos curtos que eventualmente possam ser rescindidos sem grande impacto, em caso de fracasso técnico. A linha foi a mesma adotada com os equatorianos que passaram pelo Santos, entre eles o tal de Angulo, e que pouco acrescentaram. Na prática, representaram apenas prejuízos e inserção na longa lista de “reforços” absurdos e sem um mínimo de coerência. A realidade é triste, o clube vive um círculo vicioso há anos e tem sua história de glórias sob constante ameaça. É preciso encontrar rapidamente uma solução para garantir a própria sobrevivência como instituição. Talvez seja o momento de diretoria e Conselho Deliberativo refletirem com absoluta isenção sobre a melhor opção para evitar o pior. Não se trata apenas de eventual rebaixamento, mas, sim, de uma solução que mude radicalmente a trajetória atual. O presidente Andrés Rueda, cujo mandato termina esse ano, coostuma dizer que o Santos “é incaível” e que jamais pensará em transformar o clube em uma SAF – Sociedade Anônima do Futebol. No Brasil, hoje, clubes com histórias semelhante aderiram a essa realidade do futebol mundial, entre eles Cruzeiro, Vasco, Botafogo e Bahia, curiosamente ex-campeões brasileiros. O Vasco, só para essa temporada, já investiu mais de R\$ 100 milhões, visando o Campeonato Brasileiro. Se permanecesse no modelo antigo, fatalmente seria um fracasso e até voltaria para a Série B. Os que rejeitam tal mudança de gestão, com certeza citarão Flamengo e Palmeiras, únicos clubes que vivem um grande momento financeiro. Ainda que não tenham se transformado, continuam tendo sucesso, e dinheiro não é problema. Ambos, porém, têm fortes patrocinadores, garantindo investimentos e resultados. Resultados em campo significam receitas e estabilidade. Sem performances, a crise será permanente. Ninguém investe sem retorno.