(Reprodução/X) Pelo menos até agora, foi o jogo da Copa do Mundo. Teve emoção até o último minuto e uma torcida incrível do resto do mundo por Vozinha e seus colegas da oficialmente República de Cabo Verde, um país insular localizado em um arquipélago no Oceano Atlântico Central, basicamente constituído de 10 ilhas vulcânicas, com pouco mais de 500 mil habitantes. Seu lema: “Unidade, Trabalho e Progresso”. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Faltou pouco, muito pouco, para Cabo Verde ampliar ainda mais sua história de estreante numa Copa do Mundo. Por detalhes, perdeu por 3 a 2 para a temida Argentina, última campeã mundial, do também incrível Lionel Messi. Rigorosamente, o time comandado por Lionel Scaloni sobreviveu na competição, evitando o caminho já vivido por outra potência do futebol mundial, a Alemanha. O Uruguai também já foi, assim como a Holanda, a comprovar que o futebol realmente vive uma nova ordem: não há mais “bobo” nesse esporte que mexe profundamente com o ser humano. O permanente intercâmbio igualou as nações. A Argentina, inicialmente, subestimou a grande seleção de Cabo Verde, liderada pelo seu goleiro Vozinha, de mais de 40 anos, muita simpatia e humildade. Esse jogador é agora uma estrela mundial, abraçado principalmente pelo Brasil. Tem mais de 10 milhões de seguidores em suas redes sociais e sonha em jogar em algum time brasileiro. A pequena seleção de Cabo Verde jogou como grande, brindando o mundo com técnica, garra e uma incrível vontade de vencer. E deixou também gols como o do lateral Sidny Lopes Cabral, na prorrogação, já considerado um dos mais bonitos do Mundial. E o time só não empatou no final do jogo em razão de defesa espetacular do ótimo e irreverente goleiro Emiliano “Dibu” Martínez, de 33 anos e ídolo do Aston Villa (ING). A Argentina terminou o jogo se defendendo, dando chutão para todo lado, para garantir uma vaga nas oitavas de final. Messi continua marcando, ao seu estilo clássico, com muita técnica e visão. Porém, também deixou o campo assustado e convicto de que sua equipe terá que continuar jogando com seriedade para conquistar mais um título mundial. A atuação de Cabo Verde serve como alerta geral, incluindo o Brasil, que já tomou um susto contra Marrocos, na estreia, e depois contra o Japão, na rodada de 16 avos de final. O adversário de hoje é a Noruega, país sem nenhuma tradição no futebol, mas que desde as Eliminatórias vem realizando uma campanha fantástica. Seu grande trunfo é um centroavante grandalhão e desengonçado que não cansa de fazer gols na Premier League, pelo Manchester City. É uma figura que chama a atenção pelos seus longos cabelos loiros, amarrados em um “rabo de cavalo”, conhecido oficialmente como Erling Braut Haaland, nascido no Reino Unido em julho de 2000. Já é um dos protagonistas da Copa do Mundo de 2026, ao lado de Mbappé, Harry Kane, Messi e Vinícius Júnior. Em 2020, ganhou o prêmio de Golden Boy, concedido ao melhor jogador da Europa com idade abaixo de 21 anos. Além de Haaland, a Noruega tem se destacado na competição pela festa de sua torcida, reunindo milhares a remar sentados no melhor estilo viking. A torcida brasileira, a partir da definição do confronto, já partiu para a guerra, ironizando a remada com músicas garantindo que a “canoa vai virar”. Muito bonita e válida essa disputa fora do campo, sem violência. Para combater Haaland e equipe, o Brasil tem inicialmente o zagueiro Gabriel Magalhães, craque do Arsenal e muito acostumado a enfrentá-lo na liga inglesa. Ambos têm até uma rivalidade pessoal, com disputas na bola e provocações permanentes, além do que ocorre tradicionalmente entre atacantes e zagueiros. É um trunfo importante para a seleção brasileira, que na defesa tem também jogadores experientes como Marquinhos, do PSG, e Danilo, atualmente no Flamengo. Impossível negar que o Brasil é favorito, por sua história, tradição e nível técnico. Terá, contudo, que atuar com seriedade absoluta, para evitar o que passou a Argentina. Nesse contexto, felizmente tem um técnico como Carlo Ancelotti, acostumado a grandes disputas europeias e decisões nas principais ligas do continente. Sabe como poucos o que fazer nesses grandes momentos. Ainda esta semana mandou um grande recado: “É 100% certo que não sou um gênio, mas é 100% certo que não sou tonto”. Como grande estrategista, guarda a sete chaves o nome do substituto de Lucas Paquetá, contundido, assim como Raphinha. Vale confiar: afinal, na partida contra o Japão, contrariou o mundo ao não substituir Casemiro no intervalo e ao optar pela entrada de Gabriel Martinelli antes da prorrogação. Os dois marcaram os gols da vitória.