Na última terça, o bitcoin acumulava alta de 18% em sete dias (André François McKenzie/Unsplash) Nas eleições dos EUA, o meio cripto apoiou em peso Donald Trump, que prometeu liberdade total de regras. Com a vitória trumpista, a tão esperada fase altista do setor destravou. Na última terça, o bitcoin acumulava alta de 18% em sete dias, o ether, 24%, e a solana, 12%. Mas a líder do ranking da Coinmarketcap era cronos, com 97%, seguida da memecoin (especulativa, sem utilidade) doge, 82%. Mas a Gari, em apenas 24 horas, subia 4.270%. Mas sua capitalização é de meros R\$ 18 milhões (total no mercado), enquanto o bitcoin é de R\$ 9,9 tri. O risco é não achar vendedor e depois comprador. O meio cripto tem milhares de moedas, muitas delas experimentos ou sem negociação, uma minoria de sucesso e as memecoins – são piadas que explodiram, como doge. Muitos fãs de cripto veem as moedas digitais como algo revolucionário, anarquista, que vai abalar as estruturas (BC, bancões, bolsas). Mas esse segmento repete costumes dos mercados tradicionais. Tem fases altistas e baixistas detonadas por algum motivo. Quando caem, os novatos vendem às pressas e tomam prejuízo – a minoria, de sangue frio, entra na baixa e compra barato. Na euforia, a turma volta com o preço nas alturas, quando os especuladores vendem aos montes e tudo cai. No cripto, há mais risco. Algumas moedas grandes já viraram pó ou encolheram. Há ainda os grandes investidores, as baleias, que movem as cotações com suas operações. Agora parece ser a vez dos fundos gigantes entrando mais do lado do bitcoin, mas ainda é cedo para avaliar no que isso vai dar. Não se deve ter preconceito com criptos. Mas fuja de gente que promete ganho específico, com cara de pirâmide. Estude os ativos antes e destine uma pequena parte de seu patrimônio. Analistas citam 1%, 2%, 3% do total. Faça sua carteira, que é escolher algumas criptos, começando pelas consolidadas (bitcoin, ether e solana, por exemplo) e alguma stablecoin (cripto pareada com dólar), que funcionará como amortecedor nas quedas ou como reserva de oportunidade (cripto barata que pode valorizar). Essas carteiras são boladas por analistas, que obviamente cobram, mas há corretoras que divulgam sugestões. Invista sempre diversificado – a maior parte em renda fixa, uma fatia menor em variável (ações, dólar, ouro) e uma pontinha nas criptos. Não se iluda – elas sobem muito, mas caem sem dó. A coluna não faz sugestão de investimento e os nomes dos ativos citados são apenas para contextualização.