(José Cruz/Agência Brasil) Se os papéis Tesouro IPCA estão causando euforia com taxas que nesta semana quase encostaram em 6,2% ao ano, imagine quando o investidor, nas redes sociais, se depara com títulos privados oferecendo 7%, 8%, ou mesmo 12% e até 15%. Em outra categoria, os prefixados, há também oferta de produtos que pagam de 150 a 200% do CDI (este último, perto do dobro da Selic), sendo que o convencional seria uma aplicação conservadora garantir um pouco acima da Selic. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Na semana passada, a coluna alertou sobre a importância de entender o funcionamento desses papéis, ainda mais se tiverem taxas tão altas. E como a referência do mercado, o Tesouro Direto, está pagando bem, os concorrentes privados passaram a oferecer mais. Até porque o investidor fica com mais apetite e ganha disposição para experimentar o que é mais arriscado. Porém, tudo tem um custo e, ao embarcar em papéis que pagam mais, convém observar as condições. Por exemplo, um produto com excelente cobertura sobre o CDI na verdade funciona como “promoção”, de prazo curto (para resgatar), para atrair depois esse dinheiro para outras aplicações do banco ou casa de investimento. Títulos híbridos, que são os IPCA (remuneram pela inflação mais a taxa fixa), podem pagar bastante com a contrapartida da baixíssima liquidez - quando o resgate pode demorar alguns anos, como após 2030. O Tesouro IPCA também tem prazos longos, mas é permitida a retirada a qualquer momento, mas sob o risco de receber uma taxa na hora do saque menos vantajosa do que no vencimento ou que até dá prejuizo (o contrário também é possível). Outra característica do mercado é que as instituições de menor poder de captação de dinheiro pagam juros mais altos para atrair os investidores, ao contrário de um grande banco. Por isso, é preciso ficar atento a taxas que destoam do mercado, pois, no caso da baixa liquidez de longo prazo, o investidor ficará muito tempo com o título, exposto a eventuais turbulências econômicas, que são constantes no Brasil. É importante entender que melhor rentabilidade traz mais risco. Para isso a melhor forma é estar preparado para possíveis enrascadas. Além ficar atento aos emissores dos papéis, a regra de ouro é sempre diversificar, evitando concentrar o seu dinheiro em um investimentos apenas porque a taxa é boa. A COLUNA NÃO FAZ RECOMENDAÇÃO DE INVESTIMENTO. ELA É APENAS INFORMATIVA PARA O INVESTIDOR, CONFORME SEU PERFIL, TOMAR SUAS DECISÕES