A esticada das taxas está relacionada ao pessimismo do mercado com as contas do governo (Pixabay) Quem tinha alguns trocados para investir na última quarta-feira riu à toa, pois encontrou Tesouro Prefixado de 12,5% para 2027 e 2031 e Tesouro IPCA de 6,7% para 2029. Neste último papel, quem aplicar R\$ 1 mil e fizer aporte todo santo mês até o vencimento em 2029 vai acumular R\$ 8,2 mil líquidos (descontados IR e taxa da B3). A esticada das taxas está relacionada ao pessimismo do mercado com as contas do governo. As críticas são pesadas, como de que Lula 3 está virando a Dilma do gasto público, que há “matemágica”, de que a arrecadação não vai sustentar os programas sociais, que a inflação está resistente (e a taxa Selic vai subir mais do que o esperado). Os juros não sobem apenas por pessimismo. Segundo o Infomoney, na quarta pesaram as taxas dos títulos americanos porque o BC americano não indicou se vai fazer corte ou qual a intensidade dele na próxima reunião por lá. O IPCA saltou de -0,02 % em agosto para 0,44% em setembro. Mas esse nível já era esperado porque foi computada a bandeira tarifária 1 nas contas de luz, faltando saber se o patamar 2, mais caro, seria adotado em outubro – e foi. Mas o IPCA não está disparando. Ele pode até superar a meta do BC de 4,5% ao ano, mas será difícil ir adiante porque a Selic está muito elevada. Do lado do petróleo, Israel poderá atacar refinarias iranianas, mas é possível que a retaliação tenha nível parecido com o das chuvas de mísseis sofridas pelos isralenses, deixando poder de fogo para adiante. Aliás, o mundo tem excesso de petróleo, os aliados da Opep não estão cumprindo os cortes de produção. E recessão na Alemanha, EUA desacelerando e China em crise não pressionam a produção. Em caso de subida do barril motivado por guerra, talvez a alta não seja como no passado ou não se sustente muito. Nas contas federais, economistas mais ponderados dizem que, apesar de estarem ruins, não vão implodir no curto prazo, mas perto do fim da década se nenhuma arrumação for feita. Ainda não está descartada a possibilidade do presidente Lula ter ainda uma chamazinha do pragmatismo que moveu seu primeiro mandato. Juros do Tesouro no patamar atual, atraentes, devem fazer com que o mercado continue financiado o desleixo fiscal. Isso é vantajoso para o investidor, mas ruim para o País, pois taxas altas aceleram o endividamento público, hoje em 78% sobre o PIB. Para a agência de risco Moody’s, é tolerável até 82%. Livros para todo investidor ler O investidor inteligente, de Benjamin Graham, que tem como discípulo mais famoso Warren Buffett, é presença obrigatória nas listas de livros para investir melhor. Outro muito sugerido é Pai Rico, Pai Pobre, de Robert Kiyosaki. Os dois estão entre as cinco obras apontadas pelo blog do banco Daycoval, que ainda incluiu Os segredos da mente milionária, de Hary Eker, Rápido e Devagar, de Daniel Kahneman, e O mais importante para o investidor, de Howard Marks, que é outro guru do mercado. CDB de CDI ou de IPCA? Ao investir em CDB pós-fixado, confira antes se eles remuneram pelo CDI, que segue a Selic, ou IPCA (a taxa de inflação usada pelo BC) mais taxa fixa. Se a Selic for para as alturas, o CDI fica vantajoso. Se a inflação estiver em alta, o CDB pelo IPCA vai pagar mais. Segundo o banco C6, o CDB/CDI é melhor para curto prazo (um ou dois anos), e o CDB/IPCA é para mais longos. Mas é preciso acompanhar as mudanças: por exemplo, se o IPCA sobe, o BC eleva a Selic, e se tudo der certo, uns meses depois o IPCA vai cair. Fundos imobiliários de tijolo Fundo imobiliário não é renda fixa. Suas cotas são vendidas em Bolsa e oscilam como as ações, apesar de mais estáveis pela natureza de seus ativos. Dividem-se em dois ramos: papel (compram títulos atrelados a imóveis) e tijolo (compram imóveis e faturam com os aluguéis). Em tempos de alta de juros como agora, os fundos de tijolo perdem vigor e tendem a desvalorizar, bom momento para aproveitar o baixo preço e ter paciência até a próxima fase de queda dos juros, quando valorizam.