Pelo menos três fatores, além do rumo dos juros e do petróleo, vão pesar mais nos investimentos: a abertura de capital da SpaceX e Anthropic (inteligência artificial do Google), El Nino e tarifaço. As mudanças não serão todas ruins. Além do risco de perdas, haverá mais oportunidades. A especulação é para profissionais. A melhor saída é agir na base do olho do dono, compreendendo que vender uma ação na queda abrupta pode ser um erro se a empresa é uma tremenda companhia. Já a desvalorização viraria uma chance de comprar papel com bons resultados no futuro. A entrada de SpaceX e Anthropic na Bolsa deve sugar muitos recursos do mercado - há uma euforia com a expectativa de valorização do setor de tecnologia. Para alguns analistas, isso já tem causado a saída de estrangeiros da Bolsa brasileira, de volta à Nasdaq, e de investidores das criptomoedas. O Bitcoin, que vinha se recuperando, caiu forte na semana passada (uma oportunidade para acumuladores que adquirem bitcoins nos recuos pontuais). O El Nino, esperado para o próximo semestre, se confirmado, causará seca no Norte e Nordeste e chuvas no Sul, prejudicando o agronegócio. No ramo de energia, as geradoras que usam hidrelétricas (dependem de reservatórios), como Axia (ex-Eletrobrás), podem ter perdas. As de usinas eólicas e solares ganhariam com o sol abundante. Algumas commodities já começaram a ficar caras. O cacau, que recuou após altas contínuas, voltou a subir porque os fundos acham que o El Nino causará queda de produção na África Ocidental. No caso do tarifaço, a maior parte das empresas não deve sofrer na Bolsa, pois seus produtos estariam isentos, como carne bovina, café verde e petróleo. Mas uma das estrelas das ações, a Weg, fabricante de motores elétricos, pagaria 37,5% de sobretaxa. O petróleo é o que mais influencia o mercado. Se a navegação pelo Estreito de Ormuz não for normalizada logo, o preço do barril vai ampliar ainda mais a inflação nos países. No Brasil, a Selic cairia menos do que o esperado, ajudando a renda fixa e punindo a Bolsa. Mas o impacto maior será com aos Treasuries, papéis públicos dos EUA. Seguro e com taxas melhores, eles poderiam atrair recursos do mundo todo. Por isso, fique de olho nas notícias, seja cuidadoso para atenuar as perdas, mas também sonde investimentos com grande potencial de valorização. ESTA COLUNA É APENAS INFORMATIVA E NÃO FAZ RECOMENDAÇÃO DE INVESTIMENTOS. Mais recomendadas Vale e Itaú, com 4 votos, são as ações preferidas dos analistas para o mês, segundo o portal ADVFN. Petrobras teve 3 citações. Sabesp, Embraer, Axia, Multiplan, Lojas Renner, Motiva, Bradesco, Localiza, Gerdau, B3, Cury, BTG e Vibra receberam 2. Ouro e prata Desde 29 de janeiro, com pico aos US\$ 5.354,80, o ouro já caiu 17%, para US\$ 4.446,90 na última 4ª. Já a prata perdeu 35%. A queda é explicada pela venda para embolsar ganhos e juros altos nos EUA, e menor demanda da indústria, no caso da prata. Criptomoedas preferidas Bitcoin, ether, hype, solana, avalanche e chainlink são as criptos sugeridas por analistas de seis corretoras ou casas de análise, conforme o Infomoney. Quem busca preço baixo tem nova chance. O bitcoin voltou a cair abaixo de US\$ 70 mil. *Editor de Economia marcelo.santos@grupo-tribuna.com