(Pixabay) O presidente Lula reclamou de quem vive de dividendos, mas o pequeno investidor pode sim ter uma renda extra com essa distribuição de lucros aos acionistas, ainda que leve tempo para atingir uma bolada. Na Bolsa, é possível ter foco em patrimônio (comprar ações e aguardar sua valorização) ou renda (receber dividendos), ou ainda ter ambos. Nessa segunda modalidade, a expressão correta é provento, que pode ser dividendo ou juros sobre capital próprio (JCP). No primeiro, você é isento de Imposto de Renda na fonte (sem desconto automático), mas no segundo há IR. Algumas empresas pagam mais dividendos e outras, como bancos, o JCP. A maioria paga os dois. Os proventos são a distribuição do lucro definida em assembleia de acionistas da empresa, que mesmo muito lucrativa pode preferir pagar pouco para investir no crescimento da produção (o que em tese vai valorizar a ação e dar mais lucro no longo prazo). Companhias que ainda precisam crescer tendem a reduzir os proventos, como as médias ou de tecnologia. As consolidadas costumam pagar mais, como bancos, petroleiras, mineradoras, seguradoras e elétricas, pois em geral não precisam expandir sua infraestrutura. Há casos e casos. A Sabesp garante proventos, mas é esperado que ela vá reduzi-los porque foi privatizada e terá que investir para honrar seu contrato com o Estado (precisa levar saneamento a toda a população). Algumas empresas pagam proventos de forma mais recorrente, outras de vez em quando, pois estão sujeitas à macroeconomia (subida dos juros, preços das commodities, dólar, etc). Essa distribuição pode se dar uma vez por ano ou até todo mês. Ou em nenhuma ocasião , se houve prejuízo. O valor é definido por ação e pode ser bem raquítico ou gordo! O pagamento é divulgado após a publicação do balanço e você tem que olhar a data com e a data ex. A data com é o último dia para comprar a ação e ter direito ao dividendo ou JCP. A partir do data ex, quem comprar a ação não terá direito ao provento anunciado e vai precisar aguardar o próximo balanço. Se você notar que próximo à data de pagamento a ação está desvalorizando, não estranhe - é assim mesmo. Como a empresa vai dar para o investidor uma parte do patrimônio da companhia, isso sairá do preço na Bolsa. Mas o dinheiro estará disponível na sua conta para comprar mais ações, consumir, pagar contas e dívidas, etc. Como escolher ações boas para proventos Algumas empresas são famosas por pagarem muitos dividendos – observe o dividend yeld (DY, a relação entre o valor do provento e o preço da ação, que é uma porcentagem). Segundo analistas, mais de 6% já é um DY interessante. Mas jamais se baseie em DY e sim num conjunto de indicadores. Por exemplo, a empresa pode estar cara na Bolsa, o que vai anular o efeito do seu ganho com dividendos ou JCP. Ou estar muito endividada, com vendas em baixa, pendências judiciais e a concorrente ganhando mercado. Por dividendos, siga experts e leia bastante Se não tem tempo ou conhecimento para prospectar ações de dividendos, dá para contar com a carteira (lista de sugestões) da corretora. Acompanhe lives, noticiário econômico e fatos relevantes – o aprendizado vem com o tempo. Siga influenciadores e super-ricos, como Warren Buffett e Luiz Barsi. Não é para imitá-los, mas para analisar suas teses. Uma ação, por exemplo, pode pagar de R\$ 0,05 a R\$ 2 de dividendo ou JCP. Com paciência, aos poucos, a grana que pinga na conta vai crescer. Fundos imobiliários e a WeWork Os fundos imobiliários VINO, SARE, TRNT, BRCR e RECRB caíram na Bolsa entre 8% e 28% em quatro meses. Todos têm em comum, segundo o especialista Ricardo Figueiredo (canal Finclass), a Wework como inquilina. As quedas começaram com a notícia de que a WeWork atrasou aluguéis. Depois de muita negociação, a empresa, de uma forma ou de outra, se acertou com os FIs. Figueiredo lembra que esses investidores venderam suas cotas de impulso, abrindo mão de até 28% do patrimônio. *Editor de Economia