A cobrança prevista para 2 de janeiro de 2025 não será mais feita ( Marcello Casal Jr./Agência Brasil) O resultado do primeiro turno da eleição presidencial, com o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), derrubou a pressão do mercado financeiro sobre os títulos públicos. Depois do Tesouro Prefixado pagar mais de 14% ao ano, nesta semana, o papel com vencimento em 2029 caiu bruscamente para 12,31% e o de 2032, para 12,49%. Já os Tesouro IPCA (2032, 2040 e 2050), que já rondaram os 8,5%, despencaram abaixo de 6,7%. O arrefecimento das taxas tem relação com a expectativa do mercado de que Flávio é o candidato que está mais próximo de fazer um ajuste fiscal. Cortando gastos, o governo poderá reduzir o ritmo de crescimento da dívida pública. Por depender menos dos investidores, o Tesouro ofereceria taxas mais baixas. Alguns economistas questionam o quanto Flávio, se eleito, terá de disposição para cortar gastos. Como tem uma bancada folgada no Congresso, a Faria Lima concluiu que seguirá alguns dos passos do argentino Javier Milei. Mas há limitações. De todas as despesas federais, 93% são obrigatórias, como saúde, educação e Previdência Social. O Parlamento poderá até afrouxar essa verba carimbada, porém, um eventual governo bolsonarista teria que topar essas medidas impopulares, com tendência de repercutirem negativamente nas redes sociais quase que instantaneamente. Mesmo assim, essas taxas ainda estão muito altas, lembrando que o Tesouro IPCA já pagou de 3% a 5% ao ano, e na época se pensava serem bons rendimentos. Segundo analistas, caso Lula reverta o resultado do primeiro turno, é esperado que os juros voltem a subir. Entretanto, com Flávio à frente nas pesquisas, os analistas recomendam não deixar o tempo passar, perdendo uma oportunidade de carregar rentabilidade elevada por um longo prazo. Além disso, caso se consolide a tendência de queda de juros dos títulos, a renda fixa privada (CDB, debêntures, LCI e CRI) também deverá recuar. Por outro lado, a variável passará a ficar mais atraente, como no caso das ações e fundos imobiliários, que sobem forte desde segunda-feira. Porém, não dá para esperá-los chegarem ao topo para investir. É preciso aproveitar as cotações ainda consideradas baratas pelos analistas. Mais recomendadas Petrobras (PETR4) e Itaú, com 6 votos cada, são as ações preferidas dos analistas para investir neste mês, segundo as carteiras compiladas pelo portal ADVFN. Sabesp e Vale tiveram 5 votos; Rede D’Or, BTG e Gerdau, 4; Embraer, Weg e Axia, 3. Fundos imobiliários Os holofotes da alta da Bolsa estão com as ações de varejo e construção, mas os fundos imobiliários também vêm se recuperando. O Ifix, que representa o setor, subiu 6% desde 2 de outubro. Um deles, o TGAR11, disparou 24% no período. ETF do Brasil nos EUA O EWZ, ETF somente de ações brasileiras negociado nos EUA, subiu bem mais do que a disparada do Ibovespa, de 7,7%, na última segunda-feira, avançando 12,54%. De 2 de outubro até ontem, o EWZ acumula alta de 17%. O Ibovespa, 12%. *Esta coluna é educativa e informativa e não faz recomendação de investimentos.