( Unsplash ) Nesta semana, o Tesouro dos EUA anunciou que dobrará a recompra de treasuries (títulos públicos do país) para conter a alta dos juros dos papéis de longo prazo (vencem em dez, 20 ou 30 anos). A reação imediata foi a valorização da Bolsa, do ouro e das criptomoedas e a queda do dólar. Novas operações do Tesouro americano ainda vão ocorrer, mas o mercado tende a antecipar o que acha que vai acontecer. Como os treasuries são os ativos mais seguros dos mercados mundiais, a recompra, que na prática é uma intervenção do governo, interferirá em todos os países. Essa estratégia tende a causar o aumento dos preços desses papéis, reduzindo suas taxas de juros. Em consequência, ao resgatá-los, os investidores buscarão outros produtos mais rentáveis. Essa intervenção é um jeitinho para evitar que os juros altos dos treasuries aumentem ainda mais a dívida pública americana. No Brasil, o Banco Central avaliou fazer o mesmo. Porém, há efeitos colaterais preocupantes. No caso dos EUA, como o governo pagará pelos treasuries, parte desse dinheiro vai ser injetado na economia, talvez gerando inflação. Outro reflexo será o enfraquecimento mundial do dólar, devido a uma procura menor pela moeda americana porque os investidores entrarão em outros países (consequentemente comprando as moedas locais e não o dólar). O Tesouro diz que vai operar somente com o euro, mas economistas dizem que mesmo assim o dólar sofrerá. Quem não gosta disso é o Federal Reserve, o BC dos EUA, que pode ser obrigado a subir os juros básicos mais do que pretendia. Se os treasuries pagarem mais juros no médio prazo (não necessariamente neste ano), isso pressionará as taxas das outras economias. No caso do Brasil, os papéis teriam que pagar mais para evitar que parte de seus recursos saia para os EUA. O principal efeito que essa política do Tesouro dos EUA poderá causar é a desconfiança no país. Para economistas, a recompra teria que vir acompanhada de um combate rigoroso ao endividamento público americano. Entretanto, o Governo Trump prefere reduzir os impostos a melhorar a arrecadação para cobrir o rombo. Tudo isso são possibilidades. Falta saber se o Tesouro dos EUA vai agir dessa forma ou se trata somente de blefe para tentar dominar a fome do mercado por mais juros. Tesouro Direto As taxas dos IPCA voltaram a ficar abaixo de 8% ao ano. O recuo tem a ver com maior oferta de capitais devido à recompra de treasuries, queda do petróleo aliviando juros internacionais e vencimento do IPCA 2026 no último dia 15. Criptomaníacos em festa A decisão do Tesouro dos EUA de ampliar a recompra de títulos também ajudaram as criptos. De 4ª até ontem, o bitcoin subiu 21%, o ether, 31%, e a hype, 27%. Somente na 4ª, Walrus saltou 104%, autonolas, 79%, e o fan token SPFC, do Tricolor, 47%. Ouro em alta Depois do pico a US\$ 5.354 em 29 de janeiro, o ouro passou a cair e parou em US\$ 4 mil no mês passado. Nas últimas duas semanas, o metal retomou o fôlego e já está em US\$ 4,5 mil, puxado pela aposta de que o Fed não deve subir os juros.