Nesta semana, o mercado financeiro ampliou seu interesse pelos desdobramentos da campanha eleitoral, que na prática equivale a alterar os preços das ações e as taxas dos títulos públicos. Com as pesquisas apontando uma disputa equilibrada e subida do senador Flávio Bolsonaro (PL), o Ibovespa manteve uma sequência de altas e os juros do Tesouro recuaram. Há outros fatores, como impacto externo e valorização do petróleo, mas basta observar o comportamento dos ativos para perceber o chamado trade eleitoral, quando as expectativas com os candidatos interferem no andamento da Bolsa. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A rigor, o comportamento do mercado não se trata de afinidade ideológica ou na preferência individual do profissional da Faria Lima, centro financeiro da Capital, ou dos investidores. Segundo analistas, o que pesa para o mercado é que Flávio tende mais que Lula a fazer o corte de gastos, e que isso faria a inflação cair. Juros altos tiram recursos da Bolsa porque garantem rentabilidade sem correr riscos. Entretanto, o setor acionário costuma antecipar tendências e, mesmo sem os resultados das urnas, começou a embarcar no trade eleitoral, buscando as melhores ações com base no resultado da votação que acha mais provável. Com o trade eleitoral, ações do varejo passaram a subir neste mês. Magazine Luiza, que está entre as ações que mais sofreram com a taxa Selic elevada, desvalorizou 32% neste ano, mas em um mês subiu 37,5%. O segmento de comércio depende de crédito para fazer estoque e parcelar as vendas, sofrendo quando os juros estão altos. Estatais também estão entre as ações mais expostas ao trade eleitoral. Banco do Brasil subiu 3% no ano, mas saltou 14% em um mês. A ideia aqui é que empresas públicas tendem a ter melhores balanços com uma gestão voltada ao ajuste fiscal. Petrobras entraria nesse pacote, mas hoje o que puxa sua valorização é a guerra no Oriente Médio. Com os investidores brasileiros mais voltados à renda fixa, são os estrangeiros que ditam o ritmo do Ibovespa. Eles ingressam no Brasil para diversificação, evitando ficar concentrados nos EUA. Porém, os analistas dizem que os gringos têm aderido ao trade eleitoral. Independentemente do resultado das urnas, a expectativa é de muita volatilidade na Bolsa até a eleição. ESTA COLUNA É APENAS INFORMATIVA E NÃO FAZ RECOMENDAÇÃO DE INVESTIMENTOS. Mais recomendadas A Petrobras (PETR4) é a ação preferida dos analistas para o mês, segundo as carteiras compiladas pelo portal ADVFN. A estatal recebeu sete votos, enquanto Itaú e Gerdau tiveram seis. Vale e Axia (ex-Eletrobras) receberam cinco. Dividendos e small caps A petrolífera também lidera para dividendos este mês, com sete votos. A Allos (shoppings) teve 5 e Itaú, TIM, Axia e Copasa, 4. Para small caps (empresas de média capitalização), Cury ganhou 4 citações, C&A e Orizon (gestão de resíduos), 3. Tesouro Direto Com queda da Selic e aposta por mudança de governo, as taxas vêm caindo, mas ainda estão em níveis excepcionais. O Tesouro IPCA paga 7,59% mais inflação para 2032 e o Educa 2029 foi a 7,58%. O Pré 2032 paga 14,18% e o 2029, 13,85%.