As cotas dos fundos imobiliários variam diariamente, apresentando risco, ainda que bem mais moderado do que ações (Marcello Casal Jr/Agência Brasil) Os fundos imobiliários são uns dos poucos investimentos populares mesmo sendo renda variável – apesar de operarem renda fixa, são negociados na Bolsa. Suas cotas variam diariamente, apresentando risco, ainda que bem mais moderado do que ações. O atrativo desse segmento é que remuneram o cotista todo mês. Na verdade, essa classe está obrigada a pagar semestralmente, sendo que 95% de seu lucro precisam ser distribuídos. Mas se convencionou pelo ganho a cada 30 dias. Cada cota do fundo imobiliário pode custar, por exemplo, R\$ 10,00 ou R\$ 100,00, portanto, até mais acessível que o Tesouro Direto. Elas são vendidas na Bolsa e variam de preço. Daí a importância de comprar um fundo com potencial de valorização e não apenas que remunere bem, pois é preciso ampliar o patrimônio. O fundo imobiliário atua em vários nichos, dividindo-se em dois principais – papel e tijolo. O primeiro compra títulos lastreados em dívidas de imóveis. Se houver uma onda de calote, ele sofrerá com isso. A rentabilidade é atrelada ao CDI ou inflação. Mas a rentabilidade depende da gestora do fundo comprar bons CRIs e LCIs, por exemplo. Por ser um portfólio de renda fixa, esses fundos terão um comportamento mais estável. O pagamento mensal tende a não dar surpresa, mas as cotas também não têm porque subir muito na Bolsa. Mas, quando há uma reversão dos juros, esse fundos também refletem isso. Com a queda da Selic, esses papéis vem caindo na Bolsa e seus pagamentos também. Mas sair se livrando deles não é uma boa, pois há o risco de vendê-los com prejuízo (recebendo menos na venda do que na compra). Eles têm a função importante de reduzir o risco e deve-se fazer um diversificação tanto nessa classe como na de tijolos. Os analistas costumam recomendar compor o portfólio de fundos imobiliários de 30% do segmento de papel e 70% do restante. Esses 70% são de fundos que investem em imóveis para distribuir o lucro com aluguéis ao cotista. São prédios locados para shoppings, hotéis, hospitais, escolas ou universidades, centros logísticos, agronegócio, lajes comerciais e até cemitérios. Caso o inquilino atrase o aluguel, como no caso de lojistas nos últimos anos, a vacância vai reduzir os resultados do fundo. Na próxima semana, a coluna retomará o tema dos fundos imobiliários. A COLUNA NÃO FAZ RECOMENDAÇÃO DE INVESTIMENTO. ELA É APENAS INFORMATIVA PARA O INVESTIDOR, CONFORME SEU PERFIL, TOMAR SUAS DECISÕES Melhores ações para o mês Mesmo depois da polêmica sobre interferência política na Petrobras, a estatal, entre 22 carteiras de corretoras e casas de análise, recebeu 12 votos como a melhor ação para o mês, desbancando Itaú Unibanco, com 11, e Vale, com nove. A Sabesp, que está em fase de privatização e terá 15% das ações compradas pela Equatorial e uma oferta neste mês para investidores individuais, ganhou sete indicações. Em seguida, Cyrela e Cosan tiveram seis recomendações e Totvs e Localiza, cinco. Tesouro Direto chegou a 6,7% Os ataques de Lula ao BC e o discurso contra corte de gastos (na última quarta ele deu uma guinada na sua fala), somada aos juros altos nos EUA, deram mais um empurrão no Tesouro Direto. Na terça, os papéis prefixados ficaram todos acima de 12% ao ano, enquanto os títulos pelo IPCA bateram em 6,7%. Na quinta, recuaram abaixo de 6,4%, e apenas um dos pré estava acima de 12%. Segundo analistas, os pré são mais arriscados, mas os IPCA de pelo menos 6% são uma grande oportunidade. Ações impulsionados pelo dólar Não estranhe a subida da Bolsa mesmo com a ascensão do dólar, que veio de uma escalada, quando caiu na quarta-feira (ainda está alto). O recuo da Bolsa refletia a saída de estrangeiros devido aos juros dos EUA. Mas com o câmbio valorizado, exportadoras, que faturam ao converter seus dólares para reais, avançaram na Bolsa. É o caso de Vale, empresa de maior peso no Ibovespa. Suzano e Klabin (papel e celulose), JBS (carne) e SLC (agrícola) também ganharam.