Banco Central pode suspender cortes da taxa Selic (Rafa Neddermeyer/Agência Brasil) A possibilidade do Banco Central logo suspender os cortes da Selic, subir os juros no médio prazo ou sofrer intervenção política indireta estimulou a volta do interesse pela renda fixa, como CDB, Tesouro Direto e fundos de títulos. Como não dá para lutar contra a realidade e confiar numa retomada forte da variável (ações, fundos imobiliários, câmbio e criptomoedas), o Brasil de sempre, com investimentos atrelados aos juros, se repete, mas com um arsenal de opções ao investidor, principalmente o conservador. Entretanto, muitos investidores dos produtos atrelados a juros não entendem o que estão comprando. Tesouro Direto, CDB, debêntures e fundos de renda fixa têm uma característica em comum – são papéis com os quais o comprador, na prática, empresta o dinheiro ao emissor com expectativa de receber juros no vencimento, uma data previamente definida. Mas, antes de se preocupar com rentabilidade, o principal é saber se o prazo será cumprido. De nada adianta se deixar seduzir por juros apetitosos se alguns meses antes a empresa (emissor do papel) avisa que precisa de mais tempo para pagar. Isso é o mesmo que calote. No caso do Tesouro Direto, apesar do mercado temer pelas contas públicas, esse investimento é o mais seguro, pois o governo dificilmente dá calote. Basta ofertar juros mais altos, bom para o investidor, mas péssimo para o contribuinte e a economia. No segmento privado, tomar emprestado dos investidores é muito comum e não significa dificuldade. É mais prático oferecer título com taxa atraente do que pagar juros altíssimos de um empréstimo bancário. Porém, o inesperado acontece. Desde o ano passado, as empresas sentiram o impacto da subida da Selic, os bancos ficaram mais exigentes e os brasileiros perderam poder de consumo. Com isso, muitas entraram em crise e os papéis viraram mico na mão do investidor, como no caso da Light e varejistas. Porém, há companhias em boa situação, que precisam de dinheiro para formar estoque ou ampliar uma unidade, que acabaram lançando papéis com ótima remuneração e segurança. Agora, o mercado passa por uma incerteza, o que tende a empurrar os juros para cima. Isso não é nada bom para o País, mas é uma oportunidade para o investidor de renda fixa. A COLUNA NÃO FAZ RECOMENDAÇÃO DE INVESTIMENTO. ELA É APENAS INFORMATIVA PARA O INVESTIDOR, CONFORME SEU PERFIL, TOMAR SUAS DECISÕES