(Marcello Casal Jr/Agência Brasil) Em país de constantes juros altos não tem como ignorar a renda fixa. Porém, é preciso conhecer os diversos produtos dessa categoria para não se arrepender depois. Ainda mais quando essas opções lembram uma sopa de letrinhas, como certificados de Depósito Bancário (CDB) e de Recebíveis Imobiliários (CRI) e do Agronegócio (CRA), e as letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA). Apesar dos nomes parecidos, elas diferem muito na rentabilidade e na tributação, assim como no risco de calote. Todas são papéis que garantem ao investidor uma rentabilidade com taxa de juros (prefixado) ou pós-fixado (percentual sobre o CDI, como 100%) ou ainda híbridos, como IPCA mais uma taxa fixa (como o Tesouro IPCA). Enquanto o CDB é emitido por um banco e paga Imposto de Renda (de 22,5% a 15% sobre o rendimento, caindo quanto mais tempo ficar aplicado), CRI, CRA, LCI e LCA são isentos. Ao comparar CDB e um desses quatro papéis, não se esqueça de considerar a rentabilidade líquida (descontando o IR). Algumas corretoras até já fazem essa comparação. Por exemplo, uma LCA com taxa de 93% do CDI rende o mesmo que um CDB de 116,25% do CDI (se você achar uma LCA de 92% e um CDB de 116,25% ou mais, o CDB será mais vantajoso se as condições forem iguais, como prazo de resgate). CDB, LCI e LCA, por serem emitidos por instituições financeiras, têm Fundo Garantidor (FG), que cobre em caso de falência saldo até R\$ 250 mil se o banco quebrado for participante desse FG (geralmente têm, mas confira antes ). Mas CRI e CRA não possuem FG. Esses certificados têm lastro em dívidas dos setores imobiliário e agropecuário e são lançados por securitizadoras. Essas companhias montam uma carteira de empréstimos e esses juros pagos pelo devedor vão remunerar os investidores da CRI ou CRA. Mas se o devedor imobiliário ou agropecuário não pagar sua dívida, o prejuízo será do investidor. Por isso, para reduzir o risco, o mais fácil é investir comprando cotas de fundos, como os imobiliários ou de investimentos, que investem em vários desses papéis ao mesmo tempo. Faça o check-list ao investir nessas papéis de nomes chatos: veja a rentabilidade oferecida, mas compare prazos de vencimento, se são isentos ou não e qual o nível de risco. Neste último caso, o possível calote precisa ser compensado por um bom rendimento. Portanto, nem toda renda fixa é segura. Ações mais recomendadas De 22 carteiras das corretoras e casas de análise compiladas pelo portal ADVFN, as gigantes Petrobras e Vale voltaram ao topo das mais recomendadas para investir neste mês, com 13 e 11 votos, respectivamente. Em terceiro, o Itaú Unibanco aparece com oito, e PetroRio, BTG e Banco do Brasil, com sete. Os especialistas apostam mais em commodities (Petrobras, PetroRio e Vale) e bancos, que são considerados resilientes para a incerteza com a mudança de juros no Brasil e nos EUA, esperada para este mês. Dividendos e fundos imobiliários Para os que miram mais renda do que aumentar o patrimônio, o ranking do portal ADVFN para dividendos, com 13 carteiras, traz o Banco do Brasil com sete votos, seguido de Vivo, Petrobras e BB Seguridade, com seis, e Vale, com cinco. Os atuais pagamentos já refletem balanços com lucros elevados. Na outra forma de obter renda, os fundos imobiliários mais recomendados para o mês por oito carteiras são BTLG (seis votos), RBRR, com quatro, e XPML, TRXF, RZTR, RBRF, PVBI, CPTS e BRCO, com três cada. Small caps (empresas médias) e BDRs (internacionais) No segmento de small caps, que são as empresas de média capitalização na Bolsa, o ranking ADVFN, com nove carteiras, destaca Marcopolo (4 votos), Vivara, Intelbras, Fleury e Ecorodovias, cada uma com três. Small caps dependem de crédito e sofrem com juros altos, mas crescem mais rápido. Nos BDRS, títulos que espelham ações internacionais e que podem ser comprados na Bolsa de São Paulo, os mais votadas são Walmart, Microsoft, Coca-Cola, Apple e Amazon, com três cada.