Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontou recentemente que 80% das famílias têm dívidas e que 30% da renda mensal dos brasileiros são para pagar esses compromissos. O levantamento ajuda a explicar parte do problema do baixo índice de poupança no Brasil, impedindo muitos de investir e formar uma reserva para a aposentadoria e outros objetivos. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Por outro lado, a busca por investimentos que dão rentabilidade elevada ou dividendos polpudos propagandeados por influenciadores é uma febre. Nesta semana, um amigo perguntou se valia a pena assinar um curso sobre como ganhar dinheiro com dividendos, que é a distribuição do lucro das empresas. Mas ele me contou que tem dívidas, não prevê quando vai sair do vermelho e desconhece estratégias para investir e opções de renda fixa (poupança, CDB e Tesouro Direto, entre outros) e variável (ações, fundos imobiliários, ouro, criptomoedas). É preciso ser direto: quem possui dívidas não tem como investir simultaneamente. Há exceções, como empréstimo de longo prazo da casa própria, desde que se procure usar as economias para amortizá-lo. É preciso dar prioridade ao endividamento por uma simples questão matemática – os juros de um financiamento são muito superiores aos dos investimentos. Mas algumas pessoas preferem, por exemplo, fazer um consignado para pagar uma conta do que sacar da poupança, algo sem sentido. Estar endividado por muitos anos significa que se vive com um padrão de vida superior à renda que se tem, sendo sustentado com o dinheiro mais juros do banco. Portanto, corte confortos, como vender um segundo carro e sair todo fim de semana, e elimine o gasto miúdo, como água mineral, cafezinho e almoço fora (leve garrafinha e marmita). Se tem habilidades, faça trabalho extra nas horas vagas. Após se livrar das dívidas, é hora de começar a poupar, formando primeiro a reserva de emergência (para surpresas como doenças, multas e desemprego) equivalente a seis vezes sua despesa mensal média. Se você gasta R\$ 10 mil por mês, invista até R\$ 60 mil em aplicações conservadoras (renda fixa). Atingida essa proporção, o que entrar a mais pode ser investido em opções de maior risco e mais rentáveis, como ações com dividendos e fundos imobiliários. Dividendos e small caps Petrobras e Itaúsa (quatro citações) e Bradesco e Allos (três) são as ações de dividendos preferidas para o mês, conforme o portal ADVFN. Para small caps (empresas de capitalização média), lideram Smart Fit e C&A (trêsmenções). Fundos imobiliários Os estrangeiros operaram 24%do volume dos fundos imobiliários (FIIs) emfevereiro, segundo o jornal Valor. Nomesmomês,mais 43mil brasileiros passarama investir nos FIIs, emtesemais atraentes como início da queda da Selic. Investir alavancado Investidores sofisticados atuamalavancados (fazem empréstimos) nomercado, entretanto, seus ativos servem de garantia, o que dá jurosmais baixos. Eles enfrentam alto risco de perda,mas com expectativa de lucros elevados.