(Gerada por IA) Napoleão passou brilhantina no cabelo, aparou o bigode com a tesourinha enferrujada e vestiu o melhor costume. Deu uma última olhada para os sapatos e conferiu se estavam apresentáveis e bem engraxados. Saiu confiante. Faria uma visita formal ao Doutor Pitangueira, pai de Toninha, a moça por quem nutria um grande afeto. Com a aprovação da jovem, falaria com seu pai. Pedido de casamento. Já tinha 23 anos e o emprego na farmácia era estável. Queria constituir família. Chegou a hora de ser homem sério. Aquele romance ganharia um novo patamar. Passos firmes em direção à casa do futuro sogro. A confiança que o encorajava, porém, aos poucos foi dando lugar a um nervosismo inesperado. O suor brotava na testa de Napoleão. Os passos já não eram tão ágeis. O desconforto estava aumentando. E, como um duro golpe do destino, uma tremenda dor de barriga completou o cenário do caos. Pensou em voltar para casa, mas Doutor Pitangueira era um homem que exigia pontualidade. Um atraso seria inaceitável. As pontadas na barriga eram implacáveis. Napoleão chegou levemente curvado à casa de sua amada, tentando disfarçar o incômodo que sentia. Seus passos eram curtos e procurava disfarçar com um sorriso sem graça. Os olhos, porém, denunciavam que algo estava errado. Doutor Pitangueira mandou Napoleão entrar. Muito sério, examinou o rapaz dos pés à cabeça. O pretendente tentava a todo custo manter a calma, mas no suor do rosto chamou a atenção do pai de sua amada. – Você está bem, rapaz? – Sim, sim senhor. Muito calor na rua. – Sente-se. Sem qualquer pressa, Doutor Pitangueira acendeu um cachimbo. Achou estranho o modo como Napoleão sentara na poltrona. Pousou o olhar no jovem aflito, deu uma baforada e perguntou: – O que pretende? – Doutor Pitangueira, eu e Toninha temos muitos afetos e planos. E eu gostaria de pedir a sua permissão para noivar e casar com a sua filh... A voz de Napoleão falhou. O incômodo gástrico estava ganhando contornos dramáticos naquele ambiente. –...Sua filha! – Vejo que está nervoso. Está suando muito! Mas procure se acalmar. Investiguei a sua vida. Sei que é um jovem ambicioso e honesto... Napoleão fazia caretas, apertava as pernas e mantinha as mãos sobre a barriga. Temia o pior. Sentia o suor escorrer pela espinha. – Pensei, analisei com muito critério e decidi autorizar o romance entre você e a minha filha Toninha. Doutor Pitangueira estendeu a mão e cumprimentou Napoleão. – Espere, vou chamar Toninha. Assim que o sogro virou as costas, em um ato de desespero, Napoleão correu. Precisava de um refúgio. Voltou 15 minutos depois, desconcertado. – Desculpe, Doutor Pitangueira. Fiquei tão emocionado que não pude conter as lágrimas. Eu sei que um homem não deve chorar e não queria causar má impressão justo neste dia. Por isso, achei melhor me ausentar por alguns instantes. – Ah, rapaz. Eu entendo. Isso mostra o quanto você gosta de minha filha! E obrigado pela sua sinceridade. É uma qualidade que aprecio muito. Trocaram abraços e a tarde seguiu alegre e festiva na casa dos Pitangueira, com direito a bolo de fubá, café e biscoitinhos caseiros.