(Autoridade Portuária de Santos) Esta semana, cuidando um pouco de me reciclar no Vale do Silício, tive a oportunidade de assistir um debate inspirador sobre a tecnologia e o futuro da humanidade, realizado entre uma renomada pesquisadora antropologista, um premiado ator de Hollywood e um famoso guru indiano. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Ao serem questionados sobre como percebem o uso da inteligência artificial na busca de propósitos para o desenvolvimento da humanidade, os três debatedores, respectivamente, indicaram sua compreensão. A pesquisadora tratou a tecnologia como ferramenta, que não necessariamente deve ser boa ou ruim, mas que pode ser usada de uma forma ou de outra a depender das intenções de quem a utiliza. Tenho sempre dito que portos não têm um fim em si mesmo, mas são área meio para a realização do comércio. Essa percepção do porto como ferramenta é essencial para diversas análises que fazemos dos desafios ao nosso desenvolvimento econômico e social, e tenho que concordar com a antropóloga de que, a depender do seu uso, um porto pode ser uma ferramenta extremamente importante e decisiva, mas também, tratado de forma distorcida, pode se tornar uma grande barreira para o desenvolvimento da nossa sociedade. Notem que o porto tem sido usado como fonte de arrecadação, o que me parece uma forma bastante ineficiente de tributar, já que os infinitos controles e burocracia associados a essa prática acabam criando um enorme atrito ao nosso fluxo de mercadorias e impedindo o desenvolvimento da nossa competitividade de maneira muito impactante. Tenho também chamado a atenção desse mesmo tema quando tratamos da ocupação das áreas nos portos organizados, já que o atual modelo dificulta a ocupação do porto e busca a maior outorga possível da cessão de uma área. O que se está conseguindo como resultado representa mais de 60% de áreas desocupadas nos portos, enquanto nossa capacidade portuária está totalmente engargalada e nossa participação no comércio global não consegue superar os 1,14%. Já a opinião do ator estrelado é de que a tecnologia é um espelho, no qual veremos nossa face. O que podemos ver no espelho, à medida em que ele se concretiza na nossa frente, pode ser uma imagem que nos traga orgulho e satisfação, ou então uma imagem assustadora de nós mesmos. As decisões da logística portuária são tomadas no dia a dia. Podem ser baseadas em conhecimento racional ou empírico, mas fato é que se decide o futuro do porto a cada dia, mesmo que seja pela não decisão. Dessa forma, vai se construindo uma imagem de porto que reflete nossas decisões, que toma forma dessas decisões. Cabe a nós olharmos para o porto que construímos e nos enxergarmos nele. É a imagem que queremos ver de nós? O famoso guru trouxe uma outra perspectiva para o desenvolvimento tecnológico. Segundo ele, qualquer que seja o uso que fazemos da tecnologia, ela produzirá efeitos negativos, a não ser que mudemos a essência de nós mesmos. A transformação precisaria ser primeiro nossa, dos nossos princípios, valores, propósitos. A partir daí, é possível utilizar o que está a nossa mão de forma a produzir resultados econômicos e sociais positivos. A nossa logística portuária deve derivar da transformação de nossas atitudes, em essência. A título de inspiração, me questiono se não deveríamos fazer como fez recentemente um jovem jogador de futebol que, contrariando todas as expectativas de que fizesse mais do mesmo, passando a responsabilidade a outros, resolveu surpreender a todos e decidiu chutar e fazer o gol. Nos dias de hoje, no mínimo, disruptivo.