(Divulgação) No início deste ano, o Governo Federal lançou um novo programa para impulsionar a indústria brasileira. A construção de uma nova política industrial é resultado do alinhamento do Brasil às práticas que sustentam os processos internacionais de crescimento socioeconômico. O conceito de complexidade econômica mede a capacidade de um país para diversificar e complexificar sua produção, permitindo maior competitividade e participação no comércio internacional. A evolução do setor industrial brasileiro entre 1940 e 1980 colocou o País, naquela época, em uma posição de liderança global. Porém, a partir desse período, centralizamos nosso desenvolvimento no mercado interno e perdemos esse protagonismo. Atualmente, a pequena escala de nossa produção reduziu nossa competitividade e impede que nossa indústria acompanhe os elevados níveis de tecnologia e produtividade internacional. Esse resultado é evidenciado pela redução da participação da indústria brasileira na economia nacional, o que leva a um distanciamento cada vez maior das principais cadeias produtivas globais. Um fato importante é que, em 1980, nossa economia exportava US\$ 21,1 bilhões, enquanto a economia chinesa exportava US\$ 16,1 bilhões. Passados 40 anos, em 2021, nossas exportações somaram US\$ 335 bilhões, enquanto as da China superaram os US\$ 3,7 trilhões no mesmo ano. Enquanto nossa pauta de exportações ainda se baseia em commodities agrícolas e minerais, a pauta chinesa, que no início dos anos 80 era composta por petróleo, tecidos, minerais e produtos agrícolas básicos, hoje apresenta uma produção extremamente complexa e diversificada, incluindo eletrônicos, maquinários, química fina, motores, veículos, computadores, entre outros. A baixa complexidade de nossa economia tem nos impedido de crescer em níveis mais elevados. No entanto, é crucial observar que essa condição certamente será superada por uma inevitável estratégia nacional para a ampliação da nossa complexidade econômica. Neste momento, o mais importante é compreender que esse avanço depende essencialmente da superação de gargalos estruturais presentes em nossa economia, tais como: a solução definitiva para questões macroeconômicas como câmbio e juros; o entendimento da importância estratégica e do nosso diferencial no desenvolvimento de uma economia verde; avanços e investimentos em pesquisa e inovação; a qualificação profissional voltada para atender essa nova e transformada indústria; a definição metodológica justa e baseada em resultados para a concessão de incentivos; a ampliação de parcerias produtivas internacionais; e, finalmente, mas não menos importante, a superação dos gargalos estruturais da nossa logística, principalmente na capacidade portuária para suportar essa nova pauta de exportações. O Porto de Santos precisa estar atento à nova tendência de nossa economia de superar esse gap histórico na complexidade econômica, tendência que resultará em uma indústria muito maior do que a atual. Esse processo demandará, como ocorre em todas as grandes economias, uma ampliação acelerada da conteinerização de nossa atividade comercial. Nesse cenário, não nos é permitido mais apostar em taxas modestas de crescimento da movimentação de contêineres. Tampouco é aceitável pensar que essa nova indústria, ávida por crescimento, tolerará níveis de serviço portuário que imponham esperas de 20, 30, 40 horas para as linhas de transporte de contêineres. Ao considerar a transição de nossa economia do granel para o contêiner, não se pode mais adiar a dotação do Porto de Santos com alta capacidade para receber os meganavios conteineiros de primeira geração, com fretes mais baixos e competitivos. Além disso, não é admissível, nesse contexto, colocar a prioridade da capacidade de movimentação de contêineres do porto mais importante do País abaixo de qualquer outro tipo de movimentação portuária.