[[legacy_image_57561]] 500 mil mortos... Ignorar que no último sábado (19) o Brasil ultrapassou a marca macabra de meio milhão de vidas perdidas em decorrência da Covid-19 é ser conivente com isso. Poderia discorrer aqui sobre uma centena de assuntos, mas nada me parece mais grave e importante do que as centenas de milhares de brasileiros que perderam a vida. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Olho esse número e penso em quantas milhares de crianças ficaram órfãs, quantos pais e mães perderam seus filhos, quantas famílias brasileiras foram dizimadas não só pela doença, mas principalmente pela negligência daqueles que tinham o poder nas mãos para mudar isso, mas nada fizeram. Meio milhão de mortos é um número grande demais para ser ignorado. Não é algo que de para minimizar e fingir que não aconteceu. 500 mil mortes, e grande parte delas causadas por negligência, é genocídio. E digo isso simplesmente porque não há outra palavra para descrever a mortandade em massa de tantos e tantos brasileiros. Esse número é bem maior que o de pelo menos oito genocídios ocorridos desde o início do século 20 e não apenas choca, como dá a dimensão do tamanho da tragédia que os brasileiros vêm sendo vítimas há um ano e meio. Roland Kostic, um pesquisador de Estudos de Holocausto e Genocídio da Universidade de Uppsala (Suécia) apontou que o genocídio cometido por forças sérvias na Bósnia, por exemplo, na década de 1990, resultou em estimados 30 mil a 40 mil mortos, ou menos de 10% da perda atual com a Covid-19. Mesmo o genocídio contra os curdos cometido pelo ditador Saddam Hussein contabilizou cerca de 150 mil mortos, menos de 1/3 do total de mortes no Brasil pela covid- 19 até agora, número que segue crescendo de forma exponencial e sem qualquer previsão de estagnação. Se formos falar nos maiores genocídios do século 21 também não se encontra um episódio que se equipare a quantidade de mortos pela Covid-19 no Brasil, nem se levarmos em conta os massacres de populações de etnias negras no Sudão por milícias árabes. É assustador, mas especialistas preveem que se continuarmos nesse ritmo de mortes diárias por mais cinco meses nos aproximaremos de 1 milhão de mortos. O mais absurdo, é que diante deste cenário, mesmo com apenas 12% da população do país vacinada com as duas doses quando o recomendável para a imunidade coletiva é 70%, o presidente Bolsonaro insiste em aglomerações, debocha da vacina e ignora o uso da máscara. Não há perspectiva para o brasileiro ver o fim da pandemia num futuro próximo e, consequentemente o fim das mortes em massa. Infelizmente o presidente Jair Bolsonaro é tão ou mais nocivo e letal que o próprio vírus.