(Reprodução/Instagram) Benito di Paula morreu na noite de domingo, em decorrência de um câncer de próstata, contra o qual lutava há mais de um ano. Esta foi só mais uma das injustiças que a vida o pregou. Benito foi o quinto maior vendedor de discos do Brasil e veio a morrer às 20 horas de um dia em que o País estava todo diante da televisão para acompanhar o primeiro debate presidencial do segundo turno. O grande fato político tirou o destaque que a notícia de sua partida mereceria. Benito foi – e sempre será – um dos maiores compositores populares do Brasil. Quem duvidar, que percorra sua discografia. É difícil e muito improvável que o leitor encontre alguma canção que já não tenha ouvido antes. Em outras palavras, basicamente todo o repertório de Benito fez sucesso. Óbvio que alguns de seus sambas tocaram mais do que outros. Retalhos de Cetim, Do Jeito Que a Vida Quer, Charlie Brown, entre outros, viraram hinos que estão na memória afetiva de todos os brasileiros. São daquelas canções cantadas a plenos pulmões por multidões em bailes, festas, manifestações de rua, por décadas e décadas. Daquelas que a gente sabe a letra, canta de cor e, muitas vezes, nem lembra mais quem fez ou, pior ainda, nunca soube. Pois é, quem fez essas e tantas outras foi Benito di Paula. Ele surgiu para o sucesso no início dos anos setenta, mas sua trajetória já vinha de muito antes. Foi ‘sambeiro’, ‘pianeiro’ e ‘baileiro’, conforme se definia. Começou ainda menino, aos 15, 16 anos, em hotéis e boates de Nova Friburgo, sua cidade natal. Depois, partiu para São Paulo e, com seu piano inconfundível, virou um sucesso das noites da Capital. Trabalhou muito também em Santos, onde deixou uma história inesquecível nas boates da boca do lixo, na zona portuária da Cidade. Tinha uma linda e poderosa voz, além de tocar piano muito bem, com bastante balanço. Essa mistura gerou sua marca registrada, uma espécie de samba de boate, um tanto diferente do samba de terreiro, feito com violão, cavaco e percussão. Críticos batizaram seu som de ‘samba joia’, rótulo que ele detestava. Seu primeiro grande sucesso nacional foi Retalhos de Cetim, em 1973. Dali em diante não parou mais. Lembro bem, ainda adolescente, de devorar com os amigos da rua os sambas do seu álbum Benito di Paula Gravado ao Vivo. Um disco que é daqueles casos raros em que suas dez canções fizeram sucesso e são cantadas até hoje. Lembro também do enorme preconceito que havia por gostar e respeitar Benito di Paula como um de nossos grandes compositores. E esta é outra das injustiças sofridas por ele. Apesar de cantado e amado pelo povo, sempre foi desprezado pela chamada ‘inteligência’. O menino de família humilde, nascido Uday Vellozo, em 1941, ganhou o Brasil e se tornou um de seus grandes ídolos populares como Benito di Paula. Nunca negou suas origens e gostava de repetir: “Sou cantor do povão. Com muita honra”. E sempre foi mesmo. Resta agradecer por sua obra, que ajudou a moldar o que somos.