(Reprodução) O compositor e produtor Roberto de Carvalho lançou nesse domingo (10), uma versão inédita de sua esposa e parceira, a cantora Rita Lee, para o clássico italiano Volare (Nel Blu di Pinto di Blu), de Domenico Mondugno e Franco Migliacci, que em português ganhou o lindo e singelo nome de Voando. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Roberto afirmou em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, que a canção é um presente do casal para o Dia dos Namorados e também uma forma de matar as saudades da esposa, que morreu há pouco mais de um ano, vítima de um câncer de pulmão. A típica cançoneta italiana foi lançada em 1958 e se tornou a primeira e também a única em língua não inglesa a vencer o prêmio Grammy. “Volare”, como ficou mundialmente conhecida, já teve inúmeras versões mundo afora. Na versão de Rita Lee e Roberto de Carvalho ela ganhou um balanço bossa nova e adaptações para o português bem ao gosto do eterno bom-humor e delicadeza da cantora. O lançamento traz vários efeitos. O principal deles – e mais óbvio – é destacar a saudade e a falta que o talento de Rita Lee faz no cenário da música. Sua maneira de interpretar “Volare”, ou melhor ainda, Voando, é surpreendente do início ao fim. A canção recebeu inúmeras versões, a imensa maioria delas grandiloquentes. Um bom exemplo disso é a do grupo Gipsy Kings, sucesso retumbante do ano de 1989. A gravação original de Domenico Mondugno, um dos autores da canção, apesar de um tanto mais suave, também remete ao bel canto típico da canção italiano, muito influenciada pelo formato da ópera. Outra versão que merece destaque é a de Rita Pavone, que apesar de ter dado à canção um jeitão meio iê iê iê, ainda tem o canto pra fora bastante destacado. Rita Lee, ao contrário de todos estes citados, encheu a melodia de suavidade. Sua voz, em uma região mais grave, realmente sobrevoa a melodia com muita delicadeza e a sua afinação costumeira. Vale destacar também o arranjo de Roberto de Carvalho, com vários arpejos simultâneos e nenhum solo destacado. Um bloco sonoro que dá a clara sensação onírica que a versão para o português da esposa aponta. O guitarrista e produtor transformou a canção em uma bossa moderna repleta de bom gosto. Um casamento que, ao menos, dentro do estúdio, permanece vivíssimo, para muito além da memória repleta de afetos da cantora. A música inédita, segundo Roberto, faz parte de um enorme baú de recordações que a cantora deixou para ser entregue ao público depois da sua partida. “É uma maneira de matar a saudade, é uma maneira de homenageá-la e de fazer com que a obra permaneça viva. Permaneça organicamente viva”, disse Roberto. "A metáfora da letra e do clipe é como se a Rita estivesse voando aqui. Como se tivesse, não, porque ela está. Ela está aqui nesse exato momento. A gente que não pode ver, mas pode sentir", ressaltou o músico. E ela, de fato, está.