Banda Blow Up (Fernanda Luz/Arquivo AT) Quem é de Santos e região conhece, com toda a certeza. E muitos pelo Brasil também. Falo da lendária banda Blow Up, que após 58 anos de trajetória resolveu encerrar suas atividades. Recebo a notícia com profunda tristeza, mas sem surpresa. O amigo Lobão, único sobrevivente da formação original que ainda estava em atividade na banda, desabou com a morte do baterista Hélio Mariano, aos 73 anos, em novembro de 2023. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Para quem conheceu a banda de perto, é bem claro que ela não teria como prosseguir sem o Hélio, uma espécie de coração do grupo, tanto na pulsação em si quanto na própria afetividade, que agregava a todos incondicionalmente. Antes do Hélio, partiram o guitarrista Robson Melo, o tecladista Marinho e o baixista Tivo. Da formação original e mais duradoura, até onde me lembro, ainda está por aqui o pianista Del, que já havia se desligado do grupo. Vários outros músicos com talento de sobra passaram pela banda. Destaco aqui – e qualquer esquecimento fica por conta da minha memória e não por demérito – o Lapetina nos teclados, os guitarristas Ligeirinho, Nando Lee e Lando, Aguinaldo no contrabaixo e o Alex, irmão do Lobão, na flauta, sax e vocais. O Blow Up teve o seu auge entre as décadas de 1970 e 1980, época dos grandes bailes. Era um grupo muito bem estruturado, com ônibus, equipamentos, uniformes, enfim, tudo o que um músico profissional poderia sonhar naqueles tempos. Não havia de fato nada igual na região. Eram afinados, alegres, tocavam extremamente bem e conduziam um baile como nunca vi nem ouvi banda alguma. Diz a lenda que o nome da banda foi dado pelo cantor Johnny Mathis, que, ao vê-los, exclamou que eles eram “um blow up (explosão) tocando Beatles”. Outra lenda afirma que é uma homenagem ao filme homônimo de Michelangelo Antonioni. Gosto das duas. Em 1976, a banda explodiu (sem trocadilhos) com o sucesso Rainbow, composição do tecladista Del que entrou na trilha da novela Anjo Mau. A linda canção, com um inevitável toque beatle, veio na onda das músicas brasileiras cantadas em inglês e é até hoje um grande sucesso onde é executada. Assisti a inúmeros bailes e apresentações do Blow Up. Uma das mais marcantes e emocionantes foi, sem dúvida, em 2006, em um Dia dos Namorados, no Shopping Parque Balneário, em Santos. Não cabia mais nem uma mosca dentro do local. Pessoas de todas as idades cantavam junto e aplaudiam a banda sem parar, em uma verdadeira consagração. Nunca esqueci aquela tarde em que senti muito orgulho dos amigos. Em novembro de 2023, fui parar na UTI da Santa Casa de Santos para colocar um stent. Por uma triste coincidência, uma semana antes, o Hélio havia morrido ali, naquele mesmo local. A enfermeira de plantão me contou que ele era muito simpático, falava e brincava com todos e que a equipe sentiu muito a sua partida. O depoimento foi um teste para a minha nova válvula. Chorei baixinho naquele momento já tão sensível, de saudades de um tempo imensamente feliz. Em 1981, Milton Nascimento havia acabado de lançar a canção Nos Bailes da Vida, dele e de Fernando Brant. Certa madrugada daqueles dias, encontrei o Lobão no tradicional restaurante Almeida. Ele, outro chorão incondicional, me abraçou e disse: “Essa ele entregou pra gente, hein?” Foi assim.