[[legacy_image_263958]] O pianista, maestro, arranjador e compositor brasileiro Manoel Francisco de Moraes Mello, conhecido como Chiquinho de Moraes, morreu no domingo. Na segunda-feira foi anunciada a morte do cantor e compositor de folk-rock canadense Gordon Lightfoot. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Apesar dos universos amplamente distintos, separados por países e atividades diferentes dentro da música, podemos afirmar, sem o menor medo de errar, que perdemos dois artistas absolutamente geniais, cada um no seu quadrado. Vamos por partes. Lightfoot Lightfoot surgiu no início da década de 1960, meio à sombra dos movimentos de música pop que explodiam na época. Nunca embarcou em modismos ou fez parte de movimentos. Foi um cantor excelente que fez canções maravilhosas que foram gravadas por, entre outros, Elvis Presley e Bob Dylan. Nascido na cidade de Orillia, na província de Ontario, no Canadá, sempre teve uma enorme projeção, principalmente em seu país de origem. Gravou verdadeiras obras-primas, principalmente na década de 70. Entre elas, se destaca o álbum If You Could Read My Mind, que traz a versão original para a canção Me and Bobby McGee, de Kris Kristofferson e Fred Foster, que pouco tempo depois virou um hino na voz de Janis Joplin. Chiquinho de Moraes Chiquinho de Moraes, por sua vez, foi um dos maiores arranjadores e orquestradores do Brasil. Fez álbuns com Elis Regina e Roberto Carlos e atuou como maestro do programa O Fino da Bossa, que era comandado por Elis e Jair Rodrigues. Gravou também com Erasmo Carlos, Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Nana Caymmi, Simone, Agnaldo Timóteo, Almir Sater, Carlinhos Brown, Zé Ramalho, Ronnie Von, Belchior, Elba Ramalho, Ivan Lins, Raul Seixas, Amelinha, Tom Zé e João Bosco, entre outros. Começou sua carreira ainda no final da década de 1950, quando escreveu arranjos para a cantora Celly Campello (1942-2003). Com as célebres gravações de Estúpido Cupido (Stupid cupid – Neil Sedaka e Howard Greenfield, 1958, em versão em português de Fred Jorge, 1959) e Banho de Lua (Tintarella di luna – Bruno Defilippi e Francesco Migliacci, 1959, em versão em português de Fred Jorge, 1960). Ao longo de sua profícua trajetória, foi do embrião do rock nacional para a sofisticação extrema do álbum O Grande Circo Místico, de Edu Lobo e Chico Buarque, composto em 1983 para o Balé Guaíra. Tivesse feito apenas a orquestração para a antológica gravação de Beatriz, na voz de Milton Nascimento, já teria justificado sua carreira. Mas Chiquinho de Moraes fez mais, muito mais. Gordon Lightfoot e Chiquinho de Moraes, cada um a seu modo e cada um do seu canto do planeta, deixam uma lacuna enorme na música popular mundial. Duas obras primorosas que merecem sempre serem revistas, revisitadas e, sobretudo, conhecidas.