Kátya Teixeira tem uma voz linda e límpida, toca vários instrumentos de cordas, possui grande musicalidade e bom gosto (Beto Assem/Divulgação) A cantora e compositora Kátya Teixeira chega aos 30 anos de carreira. E a comemoração será como tem sido sempre durante a sua vida, ou seja, com festa e muita gente ao seu lado. No palco do Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000, Liberdade, São Paulo, estação Vergueiro do Metrô), na sexta-feira, às 19 horas, vão estar o Barbatuques, Dani Lasalvia, Vozes Bugras, Entrelatinos e Tarancón. Na plateia, uma multidão que acompanha a cantora desde o início. Andarilha no melhor estilo de seu padrinho musical e amigo Dércio Marques, Kátya é uma cantora da Capital paulista que, na contramão de tudo e de todos, se dedica totalmente à nossa cultura popular. Tem uma voz linda e límpida, toca vários instrumentos de cordas, possui grande musicalidade e bom gosto. Ela poderia estar em qualquer palco do Brasil e do mundo, ganhar prêmios, vender milhões de álbuns e ter suas canções em trilhas de novelas. Kátya, no entanto, fechou seu compromisso com a cultura do Brasil profundo e da América do Sul. Com isso, faz dos seus álbuns e shows uma eterna festa popular, onde cabem os mais diversos ritmos e cantores de todas as partes. Sua canção, parafraseando Drummond, abriu mão de ser moderna para ser eterna. Ao seu lado sempre estiveram as folias do divino, o fandango de Cananeia, as congadas do Jequitibá, as modas e violas. Em perfeita sintonia com sua saga musical, os projetos de Kátya, ao contrário da maioria dos outros artistas, não giram em torno da sua imagem, mas, sim, da possibilidade da reunião, do ‘Arreuni’, como diz a linda canção de Chico Maranhão. E foi por pura perseguição a esses saberes e encontros que ela criou o Projeto Dandô. Trata-se de outro projeto a que o Brasil um dia terá que prestar contas, tanto a Kátya, quanto a todos os convidados e participantes. O Dandô foi vencedor em 2014 do Prêmio Brasil Criativo, concedido pelo Ministério da Cultura. Idealizado e gerido por ela, o projeto consiste numa troca de apoios entre artistas de todo o País para a circulação de shows. Por ele, desde então, já passaram inúmeros artistas e tantos outros irão passar. O espetáculo que comemora os 30 anos da carreira da cantora, compositora e multi-instrumentista vai se chamar – e nada mais apropriado – A Arte do Encontro. O repertório foi escolhido a partir de pesquisa feita pela própria artista em suas redes sociais. São canções de seus oito álbuns e de suas andanças, entre elas Canto Lunar (Denise Emmer), Grândola Vila Morena (José Afonso) e canções da cultura popular, como Companheiro me Ajude e A Rosa também se Muda (ambas de domínio público). Kátya estará acompanhada no espetáculo pela banda composta por Ricardo Vignini nas violas brasileiras, Clara Bastos no contrabaixo, Cássia Maria na percussão e Esther Alves de Araújo na flauta e acordeon. Kátya toca, além de violões, guitarrón uruguayo, cuatro, viola de cocho, ronroco e rabeca. A cenografia é da artista visual Naila Pommé e a direção de cena e performance de Mônica Gouvêa.