O recém lançado single com a canção Guerreira, da cantora Gi Razuk, é construído por um tripé de talentos santistas. O primeiro deles, é claro, é a própria cantora. A seguir, Rosy Padron, a compositora da canção, e, finalmente, o arranjador e multi-instrumentista Alexandre Birkett. [[legacy_image_271187]] Birkett tem longa trajetória na música instrumental, com vários álbuns gravados, um melhor que o outro. Apesar das inúmeras influências assumidas, sobretudo dos grandes nomes do jazz, ele é daqueles poucos músicos que conseguem uma linguagem própria. Basta ouvir duas ou três notas de sua guitarra para que ele seja reconhecido. Como arranjador, enriquece a execução de maneira discreta e, ao mesmo tempo, poderosa. Com apenas três excelentes músicos, Aércio Medina, na flauta e sax tenor, Plínio Romero na bateria e Richard Matthew no trompete, além dele no violão, conseguiu com que o arranjo de Guerreira soasse quase como uma big band. A excelente canção Guerreira pode provocar surpresa em quem não a conhece, mas a compositora Rosy Padron é craque do assunto não é de hoje. Sabe construir uma linha melódica como poucos por estas plagas. Com grande influência do samba pós-bossa nova, Rosy conduz suas composições por linhas inesperadas, e ao mesmo tempo, fluidas, agradáveis. Guerreira é mais um ótimo exemplo dentro do seu vasto repertório. Ela merece, e já não é de hoje, um álbum só com suas composições. E isso sem falar na sua voz e interpretação. Fica lançada aqui a campanha. Por fim, temos finalmente uma gravação de estreia para a cantora Gi Razuk, o que também já era merecido há tempos. Giovanna, como ela mesma conta, é filha de músico e cresceu ouvindo Elis Regina, Clara Nunes e Noel Rosa. Há vários anos que canta em várias partes, dá aulas de canto e tem uma longa experiência. Apesar de nunca ter gravado um álbum próprio, teve participações especiais nos discos Pica-Pau Amarelo do cantor e compositor João Ba e Temporal do músico e compositor Alexandre Birkett, seu produtor. Nos últimos anos, tem ainda cantado com formações variadas. Em 2008, fez shows marcantes em Puebla e em Uruapam, na Cidade do México, nos 500 anos de La Musica Brasileña. Em Guerreira se percebe claramente a influência inconteste dos grandes álbuns de Clara Nunes e também da cantora e compositora Joyce Moreno. Giovanna soube aproveitar muito bem os meandros das combinações de letra e melodia da composição, com palavras longas e quebras rítmicas para suingar à vontade. O diálogo entre a cantora e os metais, com ótimas frases que escapam sempre da excelente introdução, dão um grande colorido ao todo, uma ótima percepção do arranjador. No mais, Guerreira é uma ótima estreia, que deixa o gostinho de quero mais. E esperamos que venha.