Já sabemos que se o nível do mar subir em decorrência dos eventos climáticos extremos, é possível haver danos na infraestrutura dos portos e das cidades. Mas a conversa aqui hoje é sobre o que podemos e devemos fazer para impedir que esse cenário se torne realidade. Concebendo que eventos climáticos extremos decorrem do aquecimento atmosférico, que por sua vez é proveniente de acúmulo de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera, fica mais fácil estabelecermos uma tomada de atitude que seja o início de nosso planejamento. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Para que pudéssemos nos desenvolver enquanto humanidade, desde os primórdios, utilizamos a energia do sol. Ela foi armazenada pelas plantas. Seja queimando madeira, carvão, gás natural, metano ou petróleo, a energia destes combustíveis veio do Sol. O petróleo se formou a partir da transformação de restos de plantas e animais, que armazenaram a energia do sol fazendo fotossíntese ou se alimentaram de plantas que o fizeram. Assim, ao queimarmos o petróleo ou os combustíveis citados, buscamos na verdade utilizar a energia que chegou até a Terra, originada pelo Sol, em nossas máquinas e equipamentos. A pergunta a ser feita é: como podemos utilizar a energia do Sol sem emitirmos ou reduzindo drasticamente as emissões de GEE? Parece um questionamento bastante simples, porém não podemos falar a mesma coisa em relação à resposta. Digo isso porque se trata de uma verdadeira quebra de paradigmas e costumes, que se iniciaram com a invenção da máquina a vapor e a Revolução Industrial. Para produzirmos em escala e com velocidade, buscando facilitar nosso modo de vida, desenvolvemos nossos métodos de produção e transporte com base em uso de combustíveis fósseis e matéria-prima não renovável, como o plástico, por exemplo. Não existe um único caminho para a transição energética, e sim vários. Precisamos entender quais estão postos e aqueles que ainda podem surgir. Utilizar a energia proveniente do Sol, diminuindo ou zerando as emissões de GEE, é um desafio que já se iniciou para a humanidade. Podemos entender algumas das energias limpas disponíveis, mas de uma forma ou de outra, indiretamente, elas se originaram a partir da influência do Sol sobre nosso planeta. A energia eólica, por exemplo, se forma porque o Sol aquece algumas regiões do planeta mais do que outras. A diferença entre a baixa e a alta pressão em nossa atmosfera, decorrente dessa diferença de incidência do calor solar, resulta na movimentação dos gases atmosféricos de uma zona para a outra e deságua naquilo que conhecemos como vento. Essa análise pode ser feita com as ondas do mar que resultam da ação do vento e das correntes oceânicas, com a formação das nuvens de chuva que evaporam com o calor solar e até mesmo com a energia geotermal. Querendo ou não, só existem devido à influência gravitacional do Sol sobre os átomos que se agruparam, formaram nosso planeta e até hoje pressionam a crosta terrestre sobre o núcleo planetário, mantendo ali o calor do magma, que podemos utilizar. Para mudarmos a realidade de uso diário de combustíveis fósseis para energia limpa, devemos iniciar pelos hábitos mais simples do cotidiano, começando pela nossa casa e ambiente de trabalho. Necessitamos, antes de mais nada, realizar um levantamento de emissões para termos um diagnóstico de quanto consumimos de combustíveis e energia. Estes, ao serem utilizados ou produzidos, poluem e resultam na emissão de GEE. Com o levantamento realizado, poderemos utilizá-lo como espinha dorsal para estabelecer um plano de descarbonização de nossas atividades. Esse é o Inventário de Carbono e falaremos mais dele em outras navegações. *João Paulo Ribeiro Santana. Diretor de Meio Ambiente da Portos do Paraná