(Vanessa Rodrigues/Arquivo AT) Em nosso cotidiano, pelo simples fato de usarmos gasolina, diesel ou álcool (etanol) em nossas máquinas, emitimos gases de efeito estufa. Mesmo em um carro elétrico, se a energia utilizada para carregar a bateria vier de uma usina termoelétrica, indiretamente este veículo será um poluidor. A única garantia é obtermos da empresa fornecedora de energia um certificado de que a energia fornecida foi gerada de fontes renováveis. O fogão a gás e o fogão a lenha, bastante populares no Brasil, também poluem, em menor escala, mas poluem. A televisão, os computadores, o fogão e o chuveiro elétrico, se usarem eletricidade gerada por uma usina termoelétrica, também o fazem. Em nossos ambientes de trabalho, mais especificamente em nossos portos brasileiros, o desafio assenta primeiramente em diagnosticarmos essas fontes emissoras nas diversas atividades portuárias. Precisamos entender as operações das autoridades portuárias, no caso dos portos públicos, além processos relacionados aos diferentes modais de transporte e ainda das rotinas presentes nas operações propriamente ditas. Esse diagnóstico hoje pode ser feito realizando um inventário de emissões de gases de efeito estufa, ou carbono equivalente, que é o quanto de emissão de carbono equivale a emissão de determinado gás na atmosfera. Quando eu digo que existe um desafio, o faço, pois é necessária a mobilização de diversos atores da comunidade portuária. Iniciando com a própria autoridade em si, e passando pelos arrendatários, operadores portuários e ainda pelos prestadores de serviços. Como eu disse anteriormente, realizar um inventário não é uma tarefa simples, mas também não é algo impossível. Existe nas metodologias atuais, uma convenção que se determina como escopos 1, 2 e 3. O escopo 1 diz respeito às nossas emissões, ou seja, os combustíveis que utilizamos nas atividades diretas. Falando como autoridade portuária, isso inclui as emissões da frota de veículos (carros, motos, quadriciclos, barcos, geradores etc.) Já o escopo 2 é sobre a origem de nossa energia elétrica consumida, se provém de fontes renováveis ou não. E, finalmente, o mais desafiador de todos - e não menos importante - o escopo 3, dos demais atores da comunidade portuária. É no terceiro escopo que se incluem navios, caminhões, trens, shiploaders, portêineres, transtêineres, rebocadores, empilhadeiras, tratores, maquinário, geradores etc. Trata-se de uma comunidade extremamente heterogênea no desenvolvimento das suas atividades, e muitas vezes surgem resistências em transmitir informações, que podem ser consideradas estratégicas para determinado segmento. O fato é que se todas as empresas do mundo elaborassem seus inventários de emissões de gases de efeito estufa, não precisaríamos falar em escopo três em nossos diagnósticos, pois estaríamos trabalhando de forma redundante em manipularmos os dados e informações levantadas. Bastaria somarmos os resultados dos diagnósticos de todos. Eu disse que a resposta para a nossa pergunta da coluna passada, era mais complexa do que o questionamento. Então, novamente, como podemos utilizar a energia do sol, sem emitirmos ou diminuindo drasticamente as emissões de gases de efeito estufa (GEE)? A resposta para esta pergunta se inicia pela realização de um diagnóstico de emissões. Com ele realizado e em mãos, o passo seguinte é estabelecer um plano de descarboniza-ção de nossas atividades, propondo a utilização de fontes de energia que emitam menos gases de efeito estufa. Na teoria parece fácil, já na prática significa planejamento, ações e investimentos com mudanças de paradigmas. Não é impossível, mas é preciso acreditar e querer mudar. Do contrário, a visão será de desperdício de tempo e recursos.