Os eventos climáticos extremos já fazem parte do nosso cotidiano (Pixabay) Vimos recentemente que os mais antigos portos do planeta estão nas áreas costeiras, próximos de grandes rios ou baías e também de grandes e antigas cidades. Estas características fazem com que a maioria dos portos seja mais frágil diante das mudanças climáticas. Explicarei um pouco mais sobre o meu ponto de vista na coluna de hoje. Estamos vivenciando o antropoceno, onde a humanidade pode ser considerada uma “força geológica”, que consegue modificar as características da Terra e, por consequência, modificar o seu “metabolismo”, se a considerarmos um organismo vivo e consciente (teoria de Gaia). Alguns marcadores embasam essa proposta de nova época geológica, caracterizada por impactos determinantes e irreversíveis das atividades humanas sobre os ecossistemas, atmosfera e litosfera, em um horizonte de curto espaço temporal. Tais marcadores são bem conhecidos nossos, como plásticos e concreto. E alguns não tão familiares, como é o caso dos resíduos nucleares. O fato é que estamos acidificando os oceanos, pois as chuvas, ao caírem na atmosfera, solubilizam gases provenientes da queima de combustíveis fósseis. As gotas então acidificadas são transportadas para os cursos de água e, consequentemente, para dentro dos mares e oceanos. Os eventos climáticos extremos já fazem parte do nosso cotidiano. Não há uma pessoa sequer, em uma grande cidade, que não tenha vivido ou visto notícias de chuvas em excesso em poucas horas, calor excessivo e fora do comum, ventos fortes e intensos, além de outros fenômenos que de uma forma ou de outra afetam diretamente nosso modo de viver. Há quem defenda que estes fenômenos sejam resultado direto da influência do homem no planeta. Mas há também quem não acredite, e eu respeito a opinião dessas pessoas. Mas, para mim, enquanto urbanista e permacultor, não há outro motivo para os fenômenos climáticos extremos senão a soma dos resultados da ação humana no planeta. Nessa toada, reconhecendo a existência destes fenômenos, compartilho a visão de que os portos são estruturas extremamente frágeis, independentemente de seus tamanhos, quantidade de carga transportada ou arrecadação. Isso porque movimentar carga significa uma junção sinérgica de transportes intermodais, como o aquaviário, ferroviário, rodoviário e dutoviário. Essas vias se estendem pela hinterlândia dos portos e seu pleno funcionamento está diretamente ligado à inexistência de danos em tais estruturas. Caso contrário, a atividade portuária fatalmente terá sua funcionalidade ameaçada. Nós já sabemos que a saturação dos solos e das encostas por chuvas em excesso causa facilmente os deslizamentos de terra em que a topografia seja acidentada, como é o caso de boa parte do território da costa brasileira. Esses deslizamentos, por sua vez, danificam as vias de transporte que mencionei no parágrafo anterior. Vias de transporte de cargas danificadas resultam em anomalias no bom funcionamento portuário. Independentemente do modal de transporte afetado, a saúde de um porto demanda a chegada e a saída de mercadorias de maneira célere, barata e em escala. Estar no nível do mar é outro grande problema ainda não acreditado pela população global, ou ao menos por quem toma as decisões. O aquecimento dos mares e oceanos, cria zonas de alta e baixa pressão muito mais fortes. As tempestades são cada vez mais violentas e o degelo das calotas polares, das geleiras e das neves eternas nas montanhas com toda certeza irão parar dentro dos mares e oceanos. Se o nível do mar se elevar, colapsarão portos e cidades inteiras, ou no mínimo boa parte da infraestrutura viária de acesso portuário será danificada. Portanto, as matrizes de risco dos portos não podem deixar de contemplar tais possibilidades, mas isto é conversa para outra navegada.