[[legacy_image_274163]] Toninho, que nasceu Antônio Campos Neto no dia 7 de junho de 1953, em São Paulo, chegou a Santos aos 10 anos de idade. O pai de Toninho, Antônio Francisco de Campos, era engenheiro químico, mas foi chamado pelo seu pai, Antônio Campos Filho, fundador dos Cinemas de Santos, para formar na sociedade. A família morava na Rua Azevedo Sodré, enquanto Toninho estudava no Ateneu Progresso Brasileiro, na Avenida Ana Costa. Nessa época, seu passatempo era a leitura, até que a mudança para a Rua Carolino Rodrigues e o ingresso por concurso no Colégio Canadá abriram as portas da liberdade. O menino passou a frequentar novos lugares e amizades. Um reduto que se apresentou a ele foi a Xicko’s. Lá existia a famosa pista de autorama e Toninho se dedicou ao hobby e às competições. Ele montava os carros e com menos de 14 anos já era campeão paulista, correndo nas pistas de São Paulo com grandes nomes do esporte. Época em que Toninho frequentava também o Tênis Clube de Santos, lia algumas revistas importadas de surfe e andava com a molecada do Canal 3, entre eles o Petito, Miguel Sealy, Bruce Abrantes, Pardal e Frigerio, fundadores do Big Kahuna Surf Club. Toninho se juntou a eles para fabricar sua prancha feita de madeirite, usando das mesmas artimanhas e técnicas dos amigos. Quando passou para a prancha caixa de fósforo seu point já era a casa do Nando e do Cirinho Vaz no Canal 1, lugar de ondas maiores e mais frequentes. Depois disso, as pranchas passaram por uma revolução, com materiais sintéticos, tornando-as mais leves. Toninho ganhou o seu pranchão Weber Surfboards e uma parafina em spray, numa encomenda feita aos amigos do pai que trouxeram dos Estados Unidos. No final dos anos 1960, os santistas passaram a desbravar novos picos. A bordo da Rural Willys do Gino Sarti, Toninho e os amigos frequentaram o Litoral Norte, acampando em Juquehy, em surftrips únicas e pitorescas, praticando escambo com a tribo indígena que vivia ali na região, enfrentando os perrengues e desafios daqueles tempos. Em 1972, Toninho casou e foi morar em Porto Alegre para tomar conta do cinema que o pai mantinha em sociedade na capital gaúcha. Depois voltou para São Paulo, seguiu para Salvador e com o fim da sociedade, ingressou numa outra parceria em salas de cinema entre São Paulo e Juiz de Fora. Por volta de 1979, de volta a Santos, o surfe ganhou intensidade e rolou até a produção de um documentário em parceria com o publicitário Jacaré. O filme em 35mm captou imagens da Praia de Camburi junto aos irmãos Argento, da Twin. Uma obra-prima que se perdeu no tempo. Os filmes de surfe já eram inspiração para Toninho. O histórico Endless Summer foi um marco. Depois de pilhar o pai com a novidade que rodava o mundo, Toninho conseguiu trazê-lo para Santos, em 1967. Ele mobilizou a galera para ir ao Cine Indaiá assistir ao filme. A experiência única de projetar ondas grandes na tela de cinema lotou o espaço e fez a cabeça dos surfistas. O Endless Summer ia além de exibir as maiores ondas do planeta. Os santistas estavam explorando um novo estilo de vida e o filme acertava em cheio o que o cinema buscava captar. Para Toninho, o cinema é sempre único, pois você paga sem saber o que vai ver, sai sem levar nada, mas ainda assim um filme pode mudar a sua vida. E Endless Summer mudou a vida de muita gente. Outro filme que marcou época foi a produção nacional Menino do Rio, de 1982. A arte gráfica foi feita pelo santista Ucho Carvalho e Ricardo van Steen. O filme estrelou o surfista e ator André De Biasi e foi escrito e dirigido pelo santista Antônio Calmon. Toninho pegou carona no sucesso do filme e montou uma equipe denominada Menino do Rio para competir na Praia do Pernambuco, com uniformes e cartazes produzidos pelo amigo Ucho. Os irmãos Salazar faziam parte da equipe, o campeonato foi sensacional e teve a presença do próprio André De Biasi. O filme acabou deixando Toninho conhecido no mercado, levando mais público na cidade de Santos do que na Capital, um feito inédito. Os projetos culturais não pararam por aí. Depois de uma temporada em Londres, Toninho teve a ideia de promover shows de rock ao vivo. As bandas e cantores nacionais de rock começavam a fazer sucesso e Toninho trouxe a Santos os Paralamas, Gang 90, Marina, Legião Urbana, João Penca, Ira, Titãs, Capital Inicial, Kid Abelha, Lobão e tantos outros. Para isso, ele montou uma casa de shows, a Heavy Metal, na Avenida Vicente de Carvalho, 16, no antigo Cinema 1, em frente à praia. A casa inaugurada no Réveillon de 1983 com a banda Erva Doce foi um sucesso e ficou pequena para o público que não parava de crescer. A solução foi levar os shows para o Clube XV e dali para o Caiçara, onde os eventos de rock nacional se tornaram amplamente conhecidos da sociedade santista. Santos virou um polo do rock no Estado de São Paulo. O Rock in Rio fez explodir sucessos pelo País, mas Santos já era conhecida pelas grandes bandas brasileiras. Toninho ainda tem algumas pretensões em relação ao cinema e o surfe. Passar o Circuito Mundial ao vivo é uma de suas ideias. Diante de tantas iniciativas culturais e uma vida de empreendedorismo, o espírito livre do surfe continua falando alto. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal