Tatiana é a principal surfista brasileira (Matt Dunbar/World Surf League) Nos Jogos Olímpicos de Paris, apenas 0,17 ponto separou a brasileira Tatiana Weston-Webb do lugar mais alto do pódio no surfe. O resultado apertado, contudo, garantiu a inédita medalha de prata, um feito espetacular para o surfe nacional. Tati é a principal surfista brasileira da atualidade e a maior da história. Não por acaso, a porto-alegrense já nasceu com o surfe circulando nas veias. Ela é filha da ex-bodyboarder Tanira Guimarães e do surfista inglês Doug Weston-Webb. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Douglas Weston-Webb, o Doug, nasceu na Inglaterra e descende de uma família tradicional do ramo têxtil. O sobrenome Weston-Webb surgiu da união pelo casamento de dois herdeiros de famílias importantes desse setor industrial. Ainda criança, Doug se mudou para o estado americano da Flórida, onde aprendeu a surfar. Aos 20, ele foi morar em Kauai, uma das ilhas do arquipélago havaiano. Foi vivendo no Havaí que ele conheceu a brasileira Tanira Guimarães, uma bodyboarder gaúcha profissional. A filha do casal, Tatiana Guimarães Weston-Webb, nasceu em Porto Alegre, no dia 9 de maio de 1996. A menina ainda não tinha completado 3 meses de vida quando os pais pegaram o avião de volta para o Havaí. Tati foi criada naquele santuário e despertou para o surfe muito cedo, com o pai empurrando-a nas ondas sobre sua prancha. Aos 8 anos, enquanto observava seu irmão mais velho, Troy, surfar, Tatiana decidiu praticar o esporte também. O surfe virou uma competição entre as crianças e Tatiana ganhou sua primeira prancha logo depois. Em 2011, Tatiana entrava para valer nas competições após vencer o mesmo campeonato que Carissa Moore já havia vencido, enquanto a havaiana conquistava seu primeiro título mundial. Nesse mesmo ano, ela interpretou Bethany Hamilton, surfista americana que em 2003 sobreviveu a um ataque de tubarão, mas teve o braço esquerdo amputado. Sua trajetória de superação foi retratada no filme Soul Surfer. Tati não parou mais de competir. Ela impressionava com seu surfe potente. Em 2015 foi Rookie of the Year na WSL (título de novata do ano) e em 2016, ganhou seu primeiro evento do WCT, em Huntington Beach. Ao todo ela já subiu no pódio quatro vezes: além de 2016, Tatiana venceu o Boost Mobile Margaret River Pro presented by Corona (2021), o Meo Rip Curl Pro Portugal (2022) e o J-Bay Open (2022). Cidadã inglesa e americana por direito, Tatiana decidiu defender a bandeira brasileira. No dia 20 de outubro de 2019, avançou para as quartas-de-final na etapa de Peniche, em Portugal, derrotando Coco Ho. O feito garantiu vaga e ela representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de 2020, em Tóquio, quando foi eliminada nas oitavas-de-final. O seu melhor ano foi 2024. Na sexta etapa do Circuito Mundial da WSL, Tatiana conseguiu um tubo perfeito que lhe valeu a nota 10 na bateria. O resultado não foi suficiente para a brasileira alcançar seu principal objetivo no Taiti e ela acabou eliminada pela francesa Vahine Fierro em Teahupoo. A derrota por 17,70 a 16,07 na semifinal fez Tatiana despedir-se da competição no terceiro lugar, pulando de nono para sétimo no ranking. O ano de 2024 entrou para a história do surfe brasileiro, quando Tatiana, a primeira surfista classificada para a Olimpíada de Paris, conquistou a inédita medalha de prata na competição, numa diferença mínima para a americana Caroline Marks, que obteve a nota de 10,5 contra 10,33 da brasileira, nas ondas de Teahupoo, no Taiti. O Brasil conquistou as três medalhas nas duas edições e se isolou como o país com mais pódios no surfe em Olimpíadas. Em 2021 teve o ouro de Ítalo e, em 2024, a prata de Tatiana e o bronze de Medina. Um mês depois, a surfista encarou um novo desafio, numa incrível reedição da final olímpica: Tatiana disputou a terceira bateria do surfe feminino no World Surf League (WSL) Finals contra a mesma Caroline Marks. Na luta por uma vaga na final da temporada na WSL, em clima de revanche em Trestles, na Califórnia, a americana foi superior mais uma vez, virou a bateria nos últimos minutos e eliminou Tati da disputa do título mundial. A brasileira terminou a temporada na terceira colocação. Tatiana é casada com o surfista brasileiro Jessé Mendes. Os dois iniciaram o relacionamento em 14 de julho de 2014. Em fevereiro de 2020, a surfista foi pedida em casamento na Praia de Polihale e o casamento ocorreu em novembro de 2023, em uma cerimônia íntima à beira-mar realizada no Princeville Resort. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal