(Divulgação e Arquivo pessoal) O apelido que eternizaria o surfista partiu do irmão mais velho, o Totó, que tinha dificuldade em pronunciar o rebuscado nome Octaviano Augusto Campos Bueno. Surgiu Taiu, um chamado curto para um gigante do mar. Nascido em 1o de dezembro de 1962, Taiu tinha tudo para ser um menino com hábitos da terra. Seu pai, criado no Interior do Estado, tinha uma fazenda e jogava polo. Vivendo em São Paulo, os irmãos acompanhavam o pai nos jogos da Hípica Santo Amaro. Dessa experiência, o jovem espectador aprendeu a força, a destreza e a imensa competitividade dos jogos com cavalos. Em 1972, o pai resolveu vender a fazenda e levou os meninos para a praia. O avô, Sylvio de Campos Filho, tinha um apartamento no Guarujá, onde os primos Dario e Guto já pegavam onda. Dois anos antes, Taiu tinha visto o surfe pela primeira vez nas revistas dos primos e já se imaginava pegando um tubo. Guto foi quem mais lhe influenciou e o avô, o seu maior incentivador no surfe. Foi ele quem presenteou Taiu com as passagens aéreas para viajar o mundo em busca das melhores ondas. Taiu começou a dropar suas primeiras ondas com uma pranchinha isopor da marca Guarujá. Na temporada de verão seguinte, entre 1974 e 1975 ele encomendou sua primeira prancha, uma Miçairi, da logomarca de uma meia-lua com uma estrela, mas Taiu queria o desenho de um raio. A prancha acabou saindo com o raio estilizado e a estrela no meio, na mesma época que a Lightning Bolt e seu raio flamejante despontava no Guarujá. Quando Taiu chegou no outside pela primeira vez, ficou deslumbrando com o ambiente. Ele admirava os surfistas da época, como Paulo Zanoto e Paulo Tendas, entre outros. Ele sabia que aquele era o seu lugar e logo sua estrela começou a brilhar. Taiu tornaria-se um dos principais big riders do mundo nas décadas seguintes, e chegou a ocupar o sétimo lugar no Pro Class Trials, em 1983, no Havaí (EUA). Em 1984, sagrou-se campeão do brasileiro profissional de Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo. Em 1991, num grave acidente sofrido na Praia de Paúba, no Litoral Norte paulista, Taiu lesionou a medula espinhal. Após um período hospitalizado e um longo processo de reabilitação, Taiu, na condição de tetraplégico, continuou ligado ao esporte, atuando como locutor e comentarista em eventos de surfe. O surfista que acumulou grandes patrocinadores ao longo de sua carreira, como a Stanley, Star Point, Shine e Summer Birds, ganhou o apoio e o patrocínio da Hang Loose após o acidente. Fundador e presidente da ONG SMF (Sociedade Mais Forte), Taiu criou, em 2010, a ONG Sociedade Mais Forte, que promove a inclusão social de pessoas com deficiência por meio do surfe adaptado, no Guarujá, cidade que escolheu viver ao lado da esposa Diana e das filhas gêmeas Mariana e Isabela. Taiu faleceu no último domingo, aos 62 anos recém-completados. Sua resiliência e amor pelo surfe tornaram-se inspiração para uma legião de surfistas. Para Taiu, o surfe foi sua fonte de vida. O livro autobiográfico Taiu na Onda do Espírito foi publicado pela Editora Gaia, em 2015, e conta sua trajetória de vida. Boas ondas ao surfista guerreiro! Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal