Sidão (à direita), em Guarujá, nos anos 60 (Reprodução) Nasceu em São Paulo, em 6 de setembro de 1954, Sidney Luiz Tenucci Júnior, o Sidão da OP, um dos empresários mais influentes da história do surfe brasileiro. Descendente de avós italianos que emigraram para o Brasil no início do século passado, Sidão era filho de Magi Ilka Antonucci e de Sidney Luiz Tenucci, que, desde cedo, fez do jogo de apostas um meio de vida, investiu os ganhos em empreendimentos como a madeireira Belporta e sustentou a família com o dinheiro que conquistava nas mesas e nos negócios. Estudante no Liceu Eduardo Prado e criado na Rua Dr. Mário Ferraz, no Itaim Bibi, quando criança, Sidão aproveitava os finais de semana para brincar nas ondas em Pitangueiras, no Guarujá, onde a família tinha um apartamento no Edifício Monguatá. Em 1968, viu pela primeira vez um amigo, Manoel Rebello, surfando diante do Edifício Sobre-as-Ondas. Pediu uma prancha ao pai, que concordou em comprar uma só para ele e o irmão mais novo, Eduardo, o Datcha. Os dois encontraram uma Induma Surfboards em uma loja de artigos de praia. A prancha era branca, tinha duas faixas azuis e uma quilha presa por um parafuso. A quilha se perdeu poucos meses depois. No início de 1969, Sidão já surfava com uma Glaspac MK4, amarela em cima e verde embaixo. Pitangueiras reunia uma pequena comunidade de jovens que passavam as férias na praia e se encontravam à noite no Centro do Guarujá. Entre os amigos estavam Reinaldo Dragão Andraus, Roberto Teixeira, Luís Mello, Magoo e Sergião Sachs. A camaradagem e a vontade de descobrir novos lugares marcariam sua vida. Em 1972, aos 17 anos, Sidão viajou ao Peru com amigos, passando por Punta Hermosa e Chicama e conhecendo Machu Picchu. João Príncipe, Luís Mello, Teixeira, Zé Maria, Magoo e Sergião Sachs integravam o grupo. A viagem mostrou que o surfe poderia ser mais do que uma atividade de praia. Em 1974, Sidão voltou à estrada com Zé Roberto Rangel e Thyola, atravessando o Peru, a América Central e chegando à Califórnia, onde encontrou o irmão Datcha. Passaram por El Salvador, onde surfaram Sunzal e La Libertad, e seguiram pelo México até os Estados Unidos. Dormiram em redes, viajaram de carona e descobriram ondas que ainda recebiam poucos surfistas. Sidão também esteve entre os pioneiros brasileiros em destinos como Sri Lanka, em 1981, Huahine, no Taiti, em 1983, e Tavarua, em 1986. No inverno havaiano de 1976/77, dividiu um quarto com Dragão em Ke Iki Road, entre Waimea e Pipeline. Os dois viajavam e surfavam juntos; no início de 1977, foram a Maui, onde conheceram as ondas de Honolua Bay. Em 1978, Sidão e amigos seguiram de caminhonete até a Praia da Pipa, no Rio Grande do Norte, descobrindo picos pelo caminho. A necessidade de financiar essas viagens o levou ao empreendedorismo. No verão de 1973/74, Sidão e Zé Roberto Rangel criaram a Green Room, ocupando a garagem do Edifício Monguatá, em Pitangueiras. Zé Roberto cuidava principalmente dos shapes, enquanto Sidão trabalhava na laminação. Produziram 14 pranchas, o suficiente para pagar as passagens da viagem seguinte. Em 1978, Sidney Sidão Tenucci associou-se a Buru para trabalhar com acessórios e equipamentos de surfe usando a marca Lightning Bolt, entre eles cordinhas, capas de prancha, sacolas, skates e parafinas. O principal cliente era Nelson Machado, das lojas Waimea, no Rio de Janeiro, que comprava grandes lotes da produção. Sidão também vendia em estabelecimentos como a Terral, a Magno e a Surf’s, na Galeria River. As limitações para atuar com pranchas e vestuário levaram os sócios a buscar outras possibilidades. Obs: A continuação da história do Sidão e o surgimento da OP você vai ler em nossa próxima coluna. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal