Registro histórico de Datcha Tenucci, Frank da Guarda e Sidão (Reprodução) Sidão e Buru decidiram investir na confecção. Ao folhear uma revista americana de surfe, identificaram a marca OP, da Ocean Pacific, e registraram a marca no Brasil em 12 de setembro de 1979. A OP apostou em produtos que conquistaram espaço no mercado nacional, entre eles as famosas carteiras de nylon e as calças Bali, contribuindo para a expansão do surfwear paulistano. A primeira loja foi inaugurada em 30 de outubro de 1979, em frente ao Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. O investimento inicial foi de US\$ 5 mil. O irmão Datcha ajudou a capitalizar o negócio, e a irmã Eleonora, a Lollô, tornou-se peça fundamental, sendo uma das sócias na empresa. O pai, Seu Sidney, também aparece nos registros da equipe que acompanhou a expansão da marca. O mercado de surfwear ainda era embrionário. Sidão apostou em produtos próprios, identidade visual, anúncios nas revistas e espaços exclusivos para a OP nas lojas multimarcas. A empresa chegou a desenvolver um manual de franquias quando o setor ainda não contava com uma estrutura consolidada para esse modelo. A estratégia ajudou a transformar roupas de surfe em produtos associados a um estilo de vida que ultrapassava os praticantes do esporte. Durante os anos 1980 e 1990, a OP tornou-se líder do mercado brasileiro. Sidão estimou ter mantido 30 lojas monomarca, sendo 15 próprias e 15 franqueadas, além de 1.200 a 1.500 clientes multimarcas. A empresa chegou a reunir 500 funcionários diretos e cerca de mil indiretos. O crescimento, como ele próprio reconheceu, superou seus planos iniciais. A OP nasceu para financiar suas surftrips, mas acabou se tornando um empreendimento de grande porte para o surfe. Sidão não se afastou do surfe. Patrocinou os irmãos Taiu e Totó Bueno, Christian e Dodo von Sydow, Tinguinha Lima, Ricardo Bocão, Paulo Rabello, Dadá Figueiredo, David Husadel e Roberto Formiga, a bodyboarder France Hazar, entre outros. Para ele, a escolha dos atletas passava pela identificação pessoal e pelo conhecimento do esporte. As revistas Fluir e Trip também deram visibilidade à marca, que investia diretamente em surfistas brasileiros. Em 1985, o primeiro OP Pro foi realizado na Praia da Joaquina, em Florianópolis. A edição de 1986 reuniu 734 participantes em dez dias de competição, recorde de surfistas, nas categorias profissionais, amadoras, femininas, masculinas e de pranchão, além do bodyboard. Naquele ano, começaram reuniões para estruturar o Circuito da Associação Brasileira de Surf Profissional (Abrasp), que ganhou forma em 1987. O OP Pro chegou a Imbituba em 1994 e, em 1995, levou os 16 melhores classificados das eliminatórias de Maracaípe, em Pernambuco, para a fase decisiva em Fernando de Noronha, no primeiro grande campeonato realizado na ilha. No final dos anos 1990, as mudanças do mercado levaram à reestruturação da empresa, que passou a operar por licenciamento. Sidão também enfrentou um câncer de próstata, tratado com sucesso. Com mais tempo disponível, retomou as viagens e se dedicou à escrita. Formado em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da USP e com pós-graduação em Letras, publicou a coluna Soul Surf, no site Waves, narrando as andanças do Surfista Peregrino. Nos anos 2000, lançou Almaquatica, livro bilíngue com textos seus, fotografias de Klaus Mitteldorf e projeto gráfico de David Carson. Depois publicou O Surfista Peregrino e, em 2012, Poentes de Amor. Continuou viajando e escrevendo até os últimos anos, quando trabalhava em um romance ambientado na Escandinávia. Sidão deixou as filhas Juliana e Isabella, a família, os amigos e uma contribuição que ultrapassa o sucesso comercial. A OP ajudou a profissionalizar o mercado de surfwear, ampliou oportunidades para atletas e impulsionou campeonatos que marcaram a história do surfe no País. O garoto de Pitangueiras que fabricava pranchas e cordinhas para pagar suas viagens acabou construindo um dos maiores negócios do surfe brasileiro. Para ele, viajar era o objetivo; a empresa foi a onda que o levou muito além do que imaginava. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal