Noronha foi o caçula entre os Top 16 (Bruno Alves) O apelido Fedelho nasceu muito antes de Sérgio Noronha se destacar nas ondas. Ainda criança, durante uma partida de futebol, saiu correndo atrás do amigo Paulo Henrique depois de sofrer uma entrada mais dura. Paulo refugiou-se em casa e, quando seu irmão mais velho descia as escadas para defendê-lo, a mãe interrompeu a confusão: “Meu filho, não vá brigar com esse fedelho!”. O apelido nunca mais o abandonou. O tempo tratou de lhe dar um novo significado. Aquele fedelho das brincadeiras de infância acabaria se tornando o mais jovem entre os Top 16 do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional, em 1987. Filho de Sérgio Noronha, oficial de justiça conhecido como “Marreta” nos corredores do Fórum do Rio de Janeiro e, depois de aposentado, atuou como advogado criminal e também corretor de imóveis, e de Luzia, paraibana dedicada à família, Sérgio nasceu no dia 13 de julho de 1967 e cresceu entre os bairros Tomás Coelho e Barra da Tijuca. Aos 4 anos, em 1971, começou a frequentar a praia nos fins de semana, na Avenida Sernambetiba. Em 1973, após uma pedra desprendida da pedreira atingir o muro da casa da família, seus pais decidiram mudar-se para o condomínio Vivendas da Barra, no número 3100 da avenida, onde o surfe começava a ganhar espaço. As primeiras influências vieram observando Meco “Ho”, Ney Medeiros, Marcos Muga e Arize Dame. Depois de muita insistência, ganhou pranchas de isopor Planonda e Copacabana, compradas nos Supermercados Barra. Um marco foi assistir ao filme Free Ride, exibido pelo pai em um auditório no Jardim Oceânico, despertando a paixão definitiva pelo esporte. Em 1976, começou a surfar com uma velha monoquilha Hati que, na verdade, pertencia à irmã Katya. Apenas em 1977 teve sua primeira prancha própria, uma Aloha, do shaper Mário Bração. Na mesma época em que estudava no Almeida Garret e depois no Anglo Americano, dividia a rotina entre escola, brincadeiras de rua e intermináveis sessões de surfe nas valas do Meio da Barra, entre a Praça do O e o condomínio Village Oceanique. Ali formou amizade com nomes como Guto Carvalho, Dadá Figueiredo, Frajola, Cássio, Rodrigo Rezende, Casquinha, Marquinhos ADN e tantos outros que contribuíram com a identidade do surfe carioca. Em 1977, seu pai também entrou para a história ao participar da fundação da ASBT (Associação de Surf da Barra da Tijuca), organizando o primeiro campeonato da entidade, cujas inscrições eram feitas na própria casa da família Noronha. A primeira prancha de fibra fabricada especialmente para ele veio em 1981, uma biquilha Aloha do lendário shaper Mário Bração. Nesse mesmo ano começaram as surftrips para Ubatuba. Depois vieram as viagens anuais para Santa Catarina, Paraná, Nordeste. Seu maior resultado, ainda como amador, veio no Hang Loose Pro de 1986, na Joaquina, quando terminou em quinto lugar, eliminando Mitch Thorson e Barton Lynch, antes de cair diante do campeão Dave Macaulay, tornando-se o melhor brasileiro nesse retorno do Circuito Mundial ao Brasil. No primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Sérgio Noronha, patrocinado pela Sundek, competiu com pranchas Neutron, do shaper Gringo e Wanderbilt, e terminou na 16a posição do ranking geral, tornando-se, aos 20 anos, o caçula entre os Top 16 que escreveram um dos capítulos mais importantes da história do surfe nacional. Hoje, Sérgio Noronha, que é pai de Luca e da filha de coração, Maria Clara, surfa ao lado da esposa Karla pelas praias do Rio e do mundo, adora e continua competindo no Circuito Master, mantendo viva sua paixão pelo surfe. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal