[[legacy_image_223808]] Nascido em Santos sob o signo de gêmeos, em 28 de maio de 1957, Fábio Antônio Boturão Ventriglia morava no Marapé e começou surfando no Canal 1 sobre uma pranchinha de isopor da Planondas ao lado do irmão mais velho, João, em 1967. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Os irmãos evoluíram e passaram para outros tipos de pranchas, da madeirite e caixa de fósforo, ao sonhado canhão de fibra de vidro da Glaspac, comprado de Miroel Couto, uma lenda do Itararé, em 1970. (João, irmão de Fábio, surfa até hoje no Quebra-mar com a sua cinquentenária Glaspac) Com a proibição do surfe em algumas praias santistas, Fábio se deslocou para outros picos, abrindo as portas para novas amizades e descobertas, na praia do Itararé, em São Vicente, e das Pitangueiras, em Guarujá. Na época ainda não tinha estrada para o Litoral Norte, e o trajeto muitas vezes era feito pela praia. Os carros atolavam e os surfistas, em caravana, se ajudavam, despertando e moldando o espírito de companheirismo e solidariedade. O apelido Jacuí surgiu nessa época, num encontro com um indígena da tribo Tupi. Essa geração foi criada na contracultura, permeando a rebeldia sobre o sistema imposto, despertando uma reflexão sobre um novo estilo de vida, contrário à perseguição à e truculência das autoridades e dos mais velhos sobre os mais jovens. Os campeonatos e festivais de surfe se sucediam, em especial em Ubatuba, promovendo o intercâmbio com outros surfistas de São Paulo e do Rio. Fábio não se destacava nos campeonatos, mas passou a se esmerar na organização dos novos eventos. Com a necessidade de fortalecer o surfe perante o poder público da Cidade, em 1978, Fábio fez parte do grupo que movimentou a construção da Associação de Surf de Santos. A partir do início dos anos 1980, a entidade auxiliou na criação do Circuito Paulista de Surf e na formação de outros campeonatos, como o Circuito Júnior Mirim, do Campeonato Universitário Paulista, em 1982, os primeiros das categorias no Brasil. O surfe proporcionou a Fábio viagens inesquecíveis como o Havaí, Indonésia, França, Espanha, Portugal, República Dominicana, Marrocos, Venezuela, Trinidad Tobago, Peru, México, El Salvador, Panamá, entre outros picos. Após mais de meio século no mar, Fábio ainda resiste, surfando e fortalecendo o respeito do homem com a natureza. Seu maior sonho é unir os esforços de todos os amigos para construir uma sociedade mais justa, onde todos tenham acesso a lazer, alimentação, saúde e educação, em torno de uma sociedade livre e sustentável. Seu lema é: Resistir sempre. Saravá! (Saravá é uma saudação na língua banto de origem africana, equivalente a “Salve” ou “Viva”). Acompanhe nossas publicações no facebook e no instagram @museudosurfesantos