[[legacy_image_212202]] O artista e educador Santana nasceu em Santos em 1957. Filho de um casal de enfermeiros, a família morava no Marapé e desde pequeno ele já desenhava muito bem, tanto que com apenas 4 anos seus desenhos já eram publicados em A Tribuninha. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Aos 12, a família se mudou para o Canal 5 e Santana começou a estudar na Escolástica Rosa. Um dia passou em frente à antiga oficina do Homero na Rua Epitácio Pessoa, e as pranchas e o halfpipe o fascinaram. Na escola, teve aulas de carpintaria e, aos 15 anos, decidiu fazer uma prancha oca com sobras de madeirite. A prancha era bem pesada e precisava de ajuda para carregá-la até a praia. Nas ondas do Canal 5 começou a história de Santana no surfe. Algum tempo depois, comprou sua primeira prancha de fibra de vidro, uma Glaspac, conhecida como Maria Gorda. “Como não tinha cordinha nessa época, eu descia a onda como caminhão sem freio, e quem estava na frente se jogava pra não ser atropelado”, diz Santana. “Nessa época existia muito localismo e não era comum ver um menino negro se interessar por surfe”, conta Santana, que foi um dos primeiros surfistas afrodescendentes de Santos, junto com Juca, primo do Gersão do Quebra-mar, Luiz Neguinho e Quizumba, entre outros. Santana encontrou no surfe e na arte uma maneira de quebrar paradigmas e preconceitos que a sociedade santista impunha. Aos 16 anos, começou a pintar camisetas exclusivas e a vendê-las na loja Waimea, em frente ao Clube Sírio Libanês. A inspiração vinha da revista Surfing, que era comprada em uma banca no Gonzaga. Santana então aprendeu silk screen com a norueguesa Aniker, que fazia as sedas do Homero e produziu uma série de cartazes de surfe de 1976 a 1982. Durante a ditadura, procurou galerias para mostrar sua arte, mas não teve sucesso, então decidiu começar a pintar os muros da linha da máquina, um primórdio do grafite na Cidade. “Eu tinha que ficar esperto e ser bom de corrida, pois quando a polícia aparecia, corria o risco de ser preso e considerado subversivo”, conta. Santana sempre viveu da arte e buscou estudar o que fazia e o impacto que teria nas pessoas. Formado em artes plásticas, pedagogia e artes visuais como professor especialista, Santana dá aulas na Escola Ecologia, na Rua Carlos Gomes. Tem como lema que a vida tem a cor que você pinta, “cada cor tem uma intensidade e sentimento e de acordo com o nosso dia, nossas sensações, a vida vai ter a cor que você pintar. Pode ficar bonita, basta você se expressar”, finaliza um sorridente Santana, que com certeza é a cara de Santos. Para conhecer mais sobre o trabalho de Santana, procure seu instagram @santanaartsurf e para essa e mais histórias no @museudosurfesantos.