Cris Fackhoury surfando nas ondas perfeitas da Beyond The Club, em São Paulo (Divulgação) São Paulo não tinha praia, mas a comunidade paulistana do surfe edificou duas praias com ondas perfeitas, encravadas na capital: a São Paulo Surf Club e a Beyond The Club. E no dia 14 de setembro, o Dia do Surf em São Paulo faz aniversário: 31 anos — uma lei pioneira que nasceu da paixão de quem sempre respirou essa cultura, mesmo no meio do asfalto. Essa história começa com o paulistano Alberto Hiar. Nascido em 29 de abril de 1965 e criado em Heliópolis, ele é filho dos imigrantes libaneses Hanna e Jamile, que vieram para o Brasil tentar a vida com os outros quatro filhos. O contato com o mar veio nas idas para São Vicente, na casa de uma tia. Ali o oceano virou uma paixão. Mesmo sem pegar onda na prática — vivendo o que chama de “surfe espiritual” —, Alberto não perdia um campeonato. Aos 15 anos, nas praias da Enseada e do Tombo, no Guarujá, o surfe virou algo real para ele. Depois vieram as viagens: ver a cena nos píeres de Huntington e Newport Beach, na Califórnia, encarar os tubos de Padang Padang dentro de um bote na Indonésia ou ver de perto uma craca de 5 metros em Pipeline, no Havaí, a bordo de um jet ski. No comércio, ele abriu a Surf Combate e vivia em contato com os donos das marcas da época. O apelido “Turco Loco” veio dessa época, por causa de um comercial de TV em que ele jogava as roupas para o alto e dizia que o turco era louco. A entrada na política veio pelo rock, pelo skate e pelo surfe. Querendo produzir um show do Sepultura e esbarrando em tanta burocracia, ele percebeu que precisava estar lá dentro para fazer as coisas acontecerem. Entrou na Câmara Municipal em 1992, eleito vereador com 10 mil votos e, em 1996, foi reeleito com 40 mil (seguindo depois para a Assembleia Legislativa em 1998 e 2002). Na Câmara, enfrentou o preconceito da classe política por defender a contracultura. E quando decidiu propor o Dia do Surf, muitos debocharam por São Paulo não ter praia. Mas a ideia tinha fundamento: por sugestão de Diniz Iozzi, o Pardhal, que queria homenagear o santista Osmar Gonçalves - pioneiro do surfe no país -, nascido em 14 de setembro de 1922, Turco Loco correu atrás como interlocutor. O resultado foi a promulgação da Lei Municipal nº 11.811/1995, a primeira do Brasil a oficializar o Dia do Surf. Anos depois, como deputado, ele ainda ajudou a fomentar os circuitos de base no estado, abrindo caminho para os campeões que viriam a seguir, e as feiras de surfe Beach Trade Show, organizadas pelo Claujones, que uniram São Paulo ao mundo do surf business mundial. Uma conquista de quem provou que o surfe é, acima de tudo, um estado de espírito. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal