Rodolfo Gonçalves de Lima, filho do funcionário público Fernando Gonçalves Lima e da bailarina do Teatro Municipal do Rio de Janeiro Eloisa Oliveira de Menezes nasceu no coração do Rio, em Copacabana, no dia 23 de março de 1963. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Foi na mudança para Ipanema, aos 10 anos, que Rodolfo Lima viu o surfe pela primeira vez no canto mais clássico do Brasil: o Arpoador. Em 1974, Rodolfo ainda colecionava medalhas num esporte ligado à tradição da família: o hipismo. Tinha acabado de se tornar campeão carioca mirim quando recebeu de presente sua primeira prancha. Ali, sem alarde, decidiu largar os cavalos para seguir o chamado do mar. Seu universo passou a girar em torno dos colégios da Zona Sul, como o Bahiense, onde os surfistas eram maioria, nas amizades que levaria para a vida toda, como a de Rômulo Fonseca (futuro árbitro da WSL) e Marcelo Bôscoli (programa Por Dentro do Tour). Quando a família se mudou para um bairro distante da praia, veio o movimento decisivo: o pai lhe deu um Fusquinha 72, que para Rodolfo foi quase uma passagem para a liberdade. Passou a viver integralmente para o surfe. Os dias se misturavam entre sessões no Arpoador, São Conrado, Quebra-Mar, meio da Barra, Prainha e Guaratiba. As influências também se multiplicavam, e três se tornaram referências: Ricardo Bocão, Roberto Valério e Cauli Rodrigues, que lhe mostraram, com apoio, exemplo e disciplina, que "surfe profissional se pratica todo dia, com qualquer condição". No final dos anos 70 vieram as primeiras pranchas marcantes, as biquilhas do Rico, abrindo caminho para as triquilhas do início dos anos 80, quando passou a usar os shapes de Beto Santos - justamente a fase em que venceu seu primeiro Campeonato Nacional, em Matinhos, no Paraná. Sua primeira viagem internacional aconteceu em 1980, para o Havaí, onde ficou quatro meses dividindo casa com Roberto Valério e Renan Pitanguy. Viver com dois surfistas ousados, conhecedores profundos da ilha, foi uma escola acelerada e inesquecível. Dois anos depois, em 1982, desbravou Bali quando ainda não havia estrada para Uluwatu: era preciso caminhar cerca de 30 minutos pelo cliff, do templo até o pico, carregando a prancha. Voltaria à Indonésia em 1985, quando fez sua primeira trip à Grajagan, Java. Na época, havia apenas três bangalôs suspensos entre as árvores - proteção necessária por causa dos tigres. Quando o Circuito Brasileiro começou a tomar forma, Rodolfo integrou a equipe Hotstick, alternando pranchas de Vitor Vasconcellos e Ricardo Martins. No primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional, em 1987, foi vice-campeão da primeira etapa, o OP Pro, na Praia da Joaquina, e terminou o ano em 8o lugar. No Circuito Mundial, conquistou resultados importantes, como o 5° lugar no Alternativa de 1988, na Barra da Tijuca. Para os brasileiros da época, atravessar a triagem em eventos internacionais já era, por si só, uma vitória. No ano passado, Rodolfo conquistou seu primeiro título brasileiro na categoria master, 60+, vencendo as etapas de Saquarema e Itapoá, no Paraná. Hoje, divide o tempo entre o surfe e sua empresa, a Insane Wetsuits, dedicada à fabricação de roupas de neoprene. É casado há 27 anos com Mariana Nogueira, tricampeã mundial de bodyboard e tricampeã mundial master. Têm duas filhas e, juntos, alimentam o mesmo pacto silencioso: fazer o que amam e manter o corpo afiado para continuar surfando até os 80 anos. Obs.: pela primeira vez na história, o Brasil lidera o Circuito Mundial de Surfe (WSL) tanto no masculino, com Gabriel Medina, quanto no feminino, com Luana Silva. Acompanhe nossas publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do Surfe @diniziozzi - o Pardhal